
A combinação de calor, suor excessivo, longas horas de festa e o uso frequente de produtos cosméticos na região dos olhos cria um cenário favorável ao surgimento de problemas oculares. O vice-diretor clínico do Oculare Hospital de Oftalmologia, Dr. Victor Massote, alerta que os riscos muitas vezes são subestimados. "Muitas pessoas encaram a irritação nos olhos como algo passageiro do Carnaval, mas inflamações nas pálpebras e na superfície ocular podem se prolongar por semanas se não houver cuidado. Em alguns casos, o problema se repete ao longo do ano justamente porque não foi tratado corretamente", explica o especialista.
Entre as condições mais comuns registradas nesse período estão a blefarite — inflamação das pálpebras que pode ser agravada pelo acúmulo de resíduos de maquiagem e pela falta de higiene — e a conjuntivite, que atinge a conjuntiva, membrana que reveste a parte branca do olho e o interior das pálpebras. O contato com glitter, suor e poeira, além do compartilhamento de maquiagem, são fatores de risco relevantes, tanto para quadros infecciosos quanto alérgicos.
Também são frequentes casos de ardor e ressecamento ocular, causados pela irritação química dos produtos ou pela desidratação intensificada pelo ambiente festivo. Partículas rígidas de glitter podem ainda provocar microlesões na córnea, abrindo portas para infecções.
Medidas simples podem evitar problemas
Para reduzir os riscos, o oftalmologista recomenda alguns cuidados preventivos. O primeiro deles é evitar maquiagem na chamada linha d’água — a parte interna da pálpebra, mais sensível e vulnerável a inflamações. Delineadores e lápis devem ser aplicados apenas na área externa dos olhos.
O uso de glitter exige atenção redobrada. O ideal é optar por produtos específicos para a região ocular, com partículas encapsuladas ou de base cremosa, diminuindo o risco de fragmentos atingirem o globo ocular. Lavar as mãos antes e depois da aplicação também é essencial.
Outro ponto fundamental é nunca dormir maquiado. Após horas de uso, os produtos acumulam resíduos, oleosidade e microrganismos. A remoção completa com demaquilante bifásico ou específico para a área dos olhos ajuda a prevenir inflamações e infecções.
A higiene das pálpebras também merece cuidado especial, principalmente para quem já tem histórico de blefarite. A limpeza diária com produtos adequados, como shampoos neutros infantis diluídos ou lenços umedecidos oftalmológicos, pode evitar crises recorrentes.
Por fim, o compartilhamento de maquiagem e acessórios deve ser evitado. Máscaras de cílios, pincéis, delineadores e cílios postiços podem transmitir vírus, bactérias e fungos.
Atenção aos sinais de alerta
Caso surjam sintomas como vermelhidão persistente, secreção, dor, sensibilidade à luz ou sensação de areia nos olhos, a orientação é suspender imediatamente o uso de maquiagem e buscar avaliação médica. “Quanto antes o paciente busca orientação, maior a chance de controlar o problema rapidamente e evitar que ele se torne crônico ou cause danos mais sérios à visão”, conclui o especialista.