
Publicado na revista "Frontiers in Oncology", o trabalho analisou 116 casos de câncer de mama diagnosticados por biópsia assistida a vácuo e posteriormente submetidos à cirurgia. A análise permitiu comparar os resultados obtidos no procedimento com os encontrados no material cirúrgico.
A pesquisa buscou avaliar se pacientes cuidadosamente selecionadas, com doença considerada de baixo risco, poderiam ser acompanhadas sem a realização imediata de cirurgia. A partir da aplicação dos critérios do estudo COMET, os pesquisadores identificaram que 6,9% das pacientes analisadas poderiam ter evitado a cirurgia no curto prazo.
Por outro lado, 2,6% apresentavam doença que poderia ter sido subestimada, resultado que indica a necessidade de critérios rigorosos para determinar quais pacientes poderiam ser submetidas a uma estratégia menos invasiva.
“Nosso objetivo não é simplesmente retirar a cirurgia do tratamento, mas entender em quais situações ela pode não ser necessária. Para isso, precisamos identificar com segurança quais pacientes apresentam uma doença de baixo risco e podem ser acompanhadas”, afirma Henrique Lima Couto.
De acordo com o estudo, a biópsia assistida a vácuo apresenta potencial como ferramenta para a seleção e o acompanhamento de pacientes, mas ainda não substitui a cirurgia de maneira geral. Os resultados apontam para a necessidade de novas pesquisas e do desenvolvimento de critérios mais precisos para definir quais pacientes poderiam ser acompanhadas sem intervenção cirúrgica imediata. “A pesquisa mostra tanto o potencial quanto os limites dessa estratégia. É um passo importante para estudar tratamentos menos invasivos sem abrir mão da segurança”, afirma o mastologista.
A entrega do Prêmio Clóvis Salgado será realizada em 18 de setembro, durante a cerimônia de abertura do XVIII Congresso Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia (CMGO) e do Encontro Mineiro de Ginecologia e Obstetrícia (EMGO), em Belo Horizonte