
Caracterizada pela formação de coágulos sanguíneos que dificultam ou bloqueiam a circulação do sangue, a trombose pode provocar dor e inchaço. Em casos mais graves, o coágulo pode se deslocar e causar uma embolia, com risco de morte.
De acordo com a médica Camila Caetano, cirurgiã vascular pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a predisposição genética e a idade acima dos 60 anos também exigem atenção, assim como o uso de anticoncepcionais hormonais que contêm estrogênio. A especialista destaca que a identificação dessas condições é fundamental para orientar os cuidados preventivos.
A médica alerta, ainda, para a importância de não ignorar possíveis sinais da doença, mesmo quando parecem pouco preocupantes. “Muitas pessoas ainda acreditam, por exemplo, que sofrer com varizes ou celulite é um problema estético, sem grandes consequências. Os problemas maiores começam quando os sinais são ignorados ou mesmo quando a falta de preocupação se deve ao fato de não ter nenhum sinal de risco”, alerta.
Por isso, o acompanhamento médico é importante, especialmente para pessoas que apresentam maior predisposição à formação de coágulos. A automedicação e o autodiagnóstico devem ser evitados.
Veja sete fatores de risco da trombose e como se prevenir
1. Gravidez
Durante a gestação, o organismo apresenta maior tendência à coagulação sanguínea, como mecanismo de proteção contra a perda de sangue no parto. Nos últimos meses, o crescimento do útero também pode comprimir vasos sanguíneos da região pélvica e dificultar a circulação nas pernas.
A recomendação é informar ao obstetra sobre dores localizadas, histórico familiar de trombose e outros fatores de risco, permitindo um acompanhamento adequado durante a gravidez.
2. Pós-parto
O risco de trombose permanece elevado após o nascimento do bebê, devido às alterações na coagulação sanguínea. Por isso, os cuidados devem continuar durante os primeiros três meses após o parto.
“A puérpera deve fazer caminhadas leves pela casa para evitar ficar muito tempo parada. Se ela já for de algum grupo de risco, é comum que haja uma orientação médica adicional para minimizar a chance de surgir um coágulo”, explica Camila Caetano.
3. Viagens longas
Permanecer sentado por muitas horas pode prejudicar a circulação sanguínea, especialmente nas pernas. O risco merece atenção em viagens superiores a quatro horas, seja de avião, ônibus, carro ou trem.
“Seja de avião, trem ou carro, as viagens longas são um problema se não forem tomadas soluções simples: mudar de posição e, principalmente, levantar-se para fazer uma caminhada. No avião ou no trem, isso é fácil de ser feito. Se a viagem for de carro ou de ônibus, é fundamental aproveitar as paradas eventuais para andar e pelo menos diminuir o risco de trombose”, recomenda a cirurgiã vascular.
4. Obesidade
A obesidade está associada a processos inflamatórios e alterações no funcionamento dos vasos sanguíneos, que podem favorecer a formação de coágulos. Outros fatores, como sedentarismo e redução da mobilidade, também contribuem para o aumento do risco.
“A obesidade é o propulsor de vários pequenos agravadores de trombose que, quando atuam em conjunto, elevam muito os perigos para o paciente. Não é a questão do peso em si, mas a redução da mobilidade, o sedentarismo, a idade, o histórico familiar, entre outros problemas”, afirma a médica.
A orientação é adotar hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas.
5. Tabagismo
As substâncias químicas presentes na fumaça do cigarro podem favorecer a coagulação sanguínea, além de provocar inflamações e alterações nos vasos sanguíneos.
“O caminho é parar de fumar. Não há um meio que possa contornar o risco de trombose mantendo o hábito do tabagismo. A saúde do organismo passa por evitar o consumo de certas substâncias nocivas. E, no caso do cigarro, a fumaça possui milhares delas”, pontua Camila.
6. Pós-cirurgia
Procedimentos cirúrgicos, principalmente nos membros inferiores, quadris, abdômen e pelve, podem aumentar o risco de trombose. Isso ocorre devido a alterações na circulação, lesões nos vasos sanguíneos e períodos de imobilidade durante a recuperação.
A prevenção depende das orientações médicas, que podem incluir caminhadas, exercícios, meias de compressão e medicamentos, conforme a avaliação individual. O risco pode permanecer por até 90 dias após a cirurgia.
7. Idade e fatores genéticos
Pessoas com mais de 60 anos ou histórico familiar de trombose apresentam maior predisposição à doença. Embora esses fatores não possam ser modificados, o acompanhamento médico permite avaliar os riscos e orientar medidas preventivas.
“O que deve ser feito efetivamente é esse cuidado constante. A visita periódica ao angiologista ou ao cirurgião vascular permite que esses quadros sejam ao menos conhecidos. A trombose, infelizmente, não anuncia se vai surgir e quando isso pode acontecer. Tomando todos cuidados possíveis, a chance de os tratamentos serem eficazes aumenta muito”, afirma a médica.