Estado de Minas SAÚDE

Usar Viagra sem necessidade pode trazer riscos à saúde

Muitos jovens estão usando o remédio como parte de suas vidas sexuais, sem levar em conta os efeitos colaterais que ele pode provocar


postado em 18/05/2015 08:34 / atualizado em 29/10/2015 08:50

A famosa pílula azul contra problemas de ereção está sendo usada de forma indiscriminada por jovens, que não levam em conta os efeitos colaterais provocados pelo Viagra(foto: Pfizer/Reprodução)
A famosa pílula azul contra problemas de ereção está sendo usada de forma indiscriminada por jovens, que não levam em conta os efeitos colaterais provocados pelo Viagra (foto: Pfizer/Reprodução)
Impossível falar sobre disfunção erétil e não lembrar da famosa pílula azul. Embora haja a necessidade de uma prescrição médica, a venda de Viagra, no Brasil, não passa por uma fiscalização, o que contribui para seu consumo indiscriminado. Até mesmo alguns jovens adultos que não sofrem com o problema de ereção, fazem uso do medicamento para se sentirem mais "fogosos" na cama e impressionarem as parceiras. No entanto, a utilização incorreta e sem necessidade pode trazer danos à saúde mental e física.

Normalmente, os jovens tomam o Viagra por insegurança, recreação ou até mesmo por vergonha de procurar um médico. Apesar da disfunção erétil ser mais comum a partir dos 50 anos, o problema pode atingir homens de qualquer idade. O urologista Antônio Peixoto Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de Minas Gerais (SBUMG), alerta para os perigos de usar o medicamento sem o acompanhamento de um especialista. "O uso por recreação pode aumentar os riscos de efeitos colaterais e também o risco de dependência psicológica", afirma o especialista.

Entre os efeitos colaterais a longo prazo, provocados pelo uso constante do remédio sem prescrição médica, estão o comprometimento da visão, problemas cardíacos e até mesmo perda da audição.

Disfunção erétil

Na década de 1980, homens com problema de ereção recorriam à injeção de fentolomina, uma substância capaz de estimular a abertura das artérias e permitir que o sangue jorre para o pênis. O problema desse tratamento é que ele fazia o efeito instantâneo, mesmo que a pessoa não estivesse sexualmente excitada.

No fim da década de 1990, surgiu o Viagra, capaz de fazer a mesma coisa, só que de forma mais simples, apenas com um comprimido. Além disso, o homem só tem a ereção quando está excitado, graças à mensagem que é enviada aos neurotransmissores responsáveis pela movimentação muscular das artérias.

Segundo Antônio Peixoto, a disfunção erétil está relacionada a três pilares: parte orgânica, psicológica e o estímulo. O Viagra é capaz de resolver o sintoma, mas não a causa. "Ao abordar um paciente com problemas de disfunção sexual, temos que analisar e pesquisar estes três pontos, que podem estar presentes isoladamente ou em conjunto. Entre o arsenal terapêutico, a medicação oral revolucionou a abordagem e o tratamento da disfunção erétil. Contudo, reforço que o importante é tratar a causa", destaca o urologista.

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