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Estado de Minas CIêNCIA

Pesquisadores conseguem usar DNA para guardar informação

Ao invés de grandes HDs ou memórias, no futuro, os dados poderão ser armazenados no código genético


postado em 12/04/2016 13:46

É sabido que vivemos na chamada década da informação. Isso, graças à tecnologia, que nos transformou em seres conectados 24 horas. Porém, tanta facilidade para se obter informação gera um problema físico: onde guardar os 44 zetabytes, ou 44 trilhões de gigabytes (GB), de dados que a humanidade terá gerado até 2020? Os cientistas apostam numa solução futurista, mas que já se mostrou extremamente eficaz, ou seja, o armazenamento de dados em moléculas de DNA.

Se fôssemos armazenar esses 44 trilhões de GB com a tecnologia que temos hoje, seriam necessários seis servidores monumentais, com até 370 mil km de comprimento. Para se ter uma ideia, essa é a distância entre a Terra e a Lua.

A boa notícia é que pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, conseguiram armazenar imagens digitais em uma sequência de DNA sintético. Além disso, eles foram capazes de acessar e recuperar os dados, que permaneceram intactos. O estudo, realizado em parceria com a Microsoft, foi divulgado no início de abril deste ano, durante uma conferência internacional sobre sistemas operacionais e linguagem computacional, realizada em Atlanta (EUA).

"A vida produziu uma molécula fantástica chamada DNA, que é capaz de armazenar todo tipo de informação sobre nossos genes e sobre o modo como funciona nosso sistema orgânico. É extremamente compacta e durável", diz Luis Ceze, co-autor da pesquisa e professor assistente da Universidade de Washington, em matéria publicada no site da instituição de ensino. "Essencialmente, estamos reconfigurando o DNA para guardar dados como fotos, vídeos e documentos, numa forma acessível por centenas ou milhares de anos", completa o cientista. As moléculas de material genético são resistentes e podem permanecer acessíveis por milhares de anos, mesmo se deixadas no ambiente, ao ar livre.

Esse método "futurista" de guardar informação não é novidade. O geneticista americano George Church, da Universidade de Harvard, autor do livro Regenesis, já havia conseguido armazenar 5,7 MB de dados variados, incluindo 53 mil palavras, 11 imagens e um aplicativo, numa parte ínfima de uma molécula de DNA. Para se ter uma ideia da capacidade de nosso código genético, em apenas 1 mm de DNA é possível guardar nada menos que 5,5 milhões de GB de informação. Com 4 gr de material genético, seríamos capazes de armazenar todos os dados produzidos pela humanidade num período de um ano.

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