Reginaldo Lopes confirma pré-candidatura à prefeitura de BH e diz que fará campanha sem gastar dinheiro

Segundo o deputado federal, o modelo eleitoral atual está 'falido'

por João Paulo Martins 20/06/2016 12:30

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Lucio Bernardo Jr/Divulgação
O deputado federal Reginaldo Lopes (PT) é mais um pré-candidato à Prefeitura de Belo Horizonte e promete uma campanha que vai "romper com o modelo político atual" (foto: Lucio Bernardo Jr/Divulgação)
Nascido em Bom Sucesso, cidade localizada na região centro-oeste de Minas Gerais, o economista Reginaldo Lopes já está no quarto mandato como deputado federal e acaba de lançar sua pré-candidatura à prefeitura de Belo Horizonte pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Em entrevista à Revista Encontro, ele explica que fará uma campanha inédita: sem gasto de dinheiro, sem "marqueteiro", sem comitês e sem palanque.

Reginaldo critica o modelo eleitoral atual e afirma que é possível fazer uma campanha simples, em sintonia com a população. "Queremos decretar uma total ruptura com o modelo eleitoral brasileiro. Por uma questão simples: ele é injusto. A democracia deve ter um princípio: o direito da igualdade na disputa. As práticas de campanha levam a uma desigualdade do processo eleitoral", comenta o deputado.

Ele quer construir um novo modelo de campanha para concorrer à prefeitura. "As campanhas e os debates políticos são artificiais e superficiais. A relação com a sociedade, no modelo tradicional, é muito artificial. Por exemplo, o conteúdo. A maioria dos candidatos diz que vai resolver o problema da educação, da segurança pública, da saúde, mas não diz como. O desafio é justamente dizer como", afirma o pré-candidato.

Além dessa questão de princípios, Reginaldo Lopes explica que, em primeiro lugar, a corrida eleitoral não deve ser controlada por um "marqueteiro". "Não vamos priorizar na estrutura de campanha a figura do 'marqueteiro' e do marketing. Não teremos 'marqueteiro'. Achamos que o marketing não pode se sobrepor à política", diz. Ele lembra que, por exemplo, nas últimas eleições, a campanha da presidente Dilma Rousseff não seguiu as regras criadas pelo presidente do PT, Ruy Falcão, e sim, as orientações do "marqueteiro" João Santana. "Ele não pode estar acima da política. Essa verticalização, em que a figura do 'marqueteiro' está acima dos ativistas políticos, prejudicou a política", completa o parlamentar.

De acordo com o pré-candidato do PT, a campanha não terá divulgação com material físico, que sujam as cidades, nem carro de som, que causa poluição sonora. As inserções do horário eleitoral na TV, como explica Reginaldo, não serão feitas com vídeos superproduzidos. Outra "novidade" é a ausência de comitês próprios, bem como os tradicionais cabos eleitorais. "Nossa campanha será feita com ativistas e militantes. Achamos que há exagero na contratação de cabos eleitorais, pois é feita sem levar em conta o debate e a convicção do projeto político para levar a melhor proposta para a cidade", esclarece.

Reginaldo Lopes explica que sua campanha se dará diretamente no contato com o eleitor e por meio da internet, especialmente das redes sociais. Segundo ele, os "comitês", na verdade, darão lugar a grupos criados no ambiente virtual para discussão de peculiaridades de cada região de BH. O deputado federal também afirma que não haverá espaço para "censura". "Às vezes, o candidato fala que está construindo um discurso democrático, mas não ouve as perguntas do eleitor. Nós queremos um debate sem censura. O eleitor terá direito a réplica".

Um ponto curioso levantado pelo pré-candidato dizrespeito às polêmicas pesquisas eleitorais. Ele deixa claro que sua campanha não fará uso desse artifício político: "Não queremos usar pesquisa 'quanti' [quantitativa] nem 'quali' [qualitativa], para depois elaborar um discurso artificial para ganhar o voto do eleitor". Para ele, as pesquisas são instrumentos "caros". "A melhor pesquisa 'quanti' será no dia 2 de outubro, quando 'abrirem' as urnas eleitorais. Meus adversários as farão, claro, mas nós não faremos".

Por fim, o deputado federal anuncia que, se for eleito, não será candidato à reeleição. "Sou autor de uma mudança no estatuto do partido. Temos uma falência do modelo eleitoral e de representatividade do parlamento. Hoje, temos o executivo obrigado a fazer um governo de coalizão, o que, para mim, faliu. Essas coalizões são muito pensadas no pragmatismo e quase nada no programático. Para não ser vítima de uma aliança pragmática com a futura Câmara Municipal de Belo Horizonte, não serei candidato à reeleição", afirma Reginaldo Lopes.

Confira, abaixo, três perguntas para o pré-candidato à Prefeitura:

REVISTA ENCONTRO – Existe uma crise política estabelecida no país, que, de certa maneira, vai dificultar o trabalho do candidato para ganhar o apoio da sociedade. Como você fará para mudar esse cenário?
REGINALDO LOPES – O que faliu foi o presidencialismo de coalizão. Isso comprova que ele é caro para a democracia brasileira e traz várias mazelas. Em tese, faliu o modelo político eleitoral. Ele é injusto. Você não vê a presença dos negros, das mulheres, dos gays. Nesse sentido, é preciso romper com o modelo atual. O PT errou, não devia ter participado das regras, apesar de serem legais. O PT sempre se posicionou contra essas regras. O que não podemos é falar diferente e fazer as mesmas coisas. Como dizia Albert Einstein, não se pode repetir modelos querendo resultados diferentes. Queremos romper, de fato. Convoco todos os candidatos a fazerem o mesmo.

O que a cidade pode fazer para ajudar o país a sair da crise econômica atual?
O gestor municipal deve potencializar algumas vocações da cidade. Belo Horizonte tem uma limitação territorial. Acredito que ela precisa desenvolver a economia criativa. São 10 atividades econômicas que se encaixam nesse padrão e que podem ser potencializadas. Podemos também investir nas novas tecnologias. Já fiz reuniões com a Fiemg [Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais] e com vários prefeitos da Grande BH para desenvolvermos, em conjunto com centros de pesquisa, como a UFMG, o Cefet e a Fapemig, o que chamamos de 'quarta etapa da evolução industrial'. É a união da mecânica com a automação e a tecnologia digital. Faremos o primeiro centro de manufatura avançada do Brasil. Ele vai priorizar o desenvolvimento de novas tecnologias a partir da demanda dos empreendedores.

Em relação à mobilidade urbana, o que você pretende fazer com o projeto de expansão do metrô de BH, que nunca sai do papel?
Primeiramente, devemos ter um pacto metropolitano em relação ao metrô. Ele deve ser para todos os mineiros, em especial para os trabalhadores. Belo Horizonte convive com muitos trabalhadores que a ajudam crescer, mas que vivem em outras cidades. Portanto, devemos ter o compromisso de estender as linhas para o Barreiro, para Betim e Contagem, para Ribeirão das Neves, Justinópolis, Santa Luzia, Ibirité. Isso é possível. Muitos dizem que não se deve falar mais em metrô porque parece promessa eleitoral. Acho que, de fato, o próximo gestor deve resolver e assumir um compromisso metropolitano.

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