Como evitar o resultado falso-negativo do câncer de mama?

Especialista mostra quais exames podem complementar a mamografia

por Encontro Digital 29/07/2016 11:30

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Rens van Mierlo/Itnonline.com/Reprodução
De acordo com a radiologista, caso haja uma dúvida em relação à mamografia, é possível realizar outros exames, como o ultrassom, para confirmar ou não o câncer de mama (foto: Rens van Mierlo/Itnonline.com/Reprodução)
Como se sabe, ao menos uma vez por ano, mulheres com mais de 40 anos devem procurar um ginecologista e colocar a saúde em dia. Isso inclui a realização da mamografia – que ainda é considerada a melhor forma de diagnóstico precoce para o temido câncer de mama. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, devem surgir quase 58 mil novos casos da doença em 2016. O sintoma mais comum é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular no seio. Mas, há tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais de câncer de mama incluem dor, descamação, ulceração ou alterações da pele que reveste o mamilo, além de secreção papilar. Podem também surgir linfonodos palpáveis na axila. Apesar de não muito frequente, o resultado falso-negativo ainda preocupa especialistas e pacientes, por dar uma falsa sensação de segurança.

De acordo com a médica radiologista Vivian Schivartche, do CDB Premium, ao contrário do falso-positivo – que pode acontecer pela sobreposição de estruturas normais da mama nas imagens –, o falso-negativo resulta da dificuldade de identificar determinados tumores em fase inicial. "Novos recursos, muito utilizados hoje em dia, como a tomossíntese ou mamografia 3D, têm conseguido reduzir a ocorrência de falsos-negativos em até 30%. Além disso, quando a dúvida persiste em pacientes de alto risco, podemos recorrer a exames complementares fundamentais, como a ultrassonografia [com doppler ou elastografia] e a ressonância magnética", explica a especialista.

Diferentemente da leve compressão mamária necessária nos exames de mamografia e tomossíntese, a médica explica que o ultrassom não comprime o seio nem usa raio-X. "O aparelho é passado sobre a mama com gel, que é um bom condutor, para checar se há alterações que indiquem a presença de tumor. Outros métodos podem ser adicionados, como o doppler e a elastografia, para decidir se a alteração percebida deve ser biopsiada ou acompanhada", diz a médica, que lembra ainda que a ressonância magnética também pode ser empregada para avaliar a extensão das alterações percebidas nos primeiros exames. "Vale ressaltar que a ressonância também é muito empregada quando há suspeita de que a prótese mamária, geralmente de silicone, sofreu ruptura. Neste exame também não há compressão das mamas. A paciente permanece deitada de barriga para baixo durante poucos minutos em que a prancha passa pela pelo equipamento cilíndrico", completa.

Dados do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos revelam que, em geral, a mamografia detecta cerca de 85% dos tumores. Os 15% restantes são os falsos-negativos, que dão uma sensação incorreta de que está tudo bem com a paciente. A principal causa dos falsos-negativos, na opinião de Vivian Schivartche, é a densidade mamária. "O problema das mamas densas é que nem sempre os resultados da mamografia são conclusivos. A composição mamária está relacionada às quantidades relativas de gordura, que aparecem 'escuras' na mamografia, e de tecido fibroglandular, que fica 'branco' no exame. Nem sempre as imagens são claras o suficiente e acabam por deixar dúvidas, já que os tumores também são densos ['brancos'], dificultando a diferenciação entre os tecidos", esclarece a radiologista.

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