Conheça o Antigo Cemitério Judeu de Praga, que tem mais de 10 'andares' e 12 mil lápides

Ele foi inaugurado no século XV e como era pequeno demais, as covas foram feitas umas sobre as outras

por João Paulo Martins 11/07/2016 17:08

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Dana Cabanova/Reprodução
O Antigo Cemitério Judeu de Praga, na capital da República Checa, surgiu no início do século XV, e por ser muito pequeno, os corpos eram enterrados uns sobre os outros, chegando a mais de 10 "andares" (foto: Dana Cabanova/Reprodução)
Cenário do romance de mesmo nome do escritor italiano Umberto Eco, publicado em 2010, o Antigo Cemitério Judeu de Praga, capital da República Checa, além de ser um importante ponto turístico, chama a atenção pelas curiosas histórias que o cercam. Fundado no início do século XV, o cemitério recebeu o primeiro jazigo em 1439, em função do enterro do rabino e poeta Avigdor Kara. Já o último sepultamento realizado em seu solo se deu 348 anos depois, em 1787 – ano em que o imperador Joseph II, do Sacro Império Romano-Germânico, proibiu os enterros dentro da cidade checa.

Não se sabe ao certo quantos túmulos e quantas pessoas foram enterradas no local, que, desde sua criação, ocupa uma área de 9,9 mil m² (ou menos de 1 hectare). Hoje, existem 12 mil lápides no famoso cemitério. Como seu tamanho sempre foi inferior à demanda da comunidade judaica de Praga, e o judaísmo não permitir a exumação de corpos (com raríssimas exceções), os enterros foram feitos uns sobre os outros.

Segundo o site oficial do Museu Judeu de Praga, do qual faz parte o antigo cemitério, existem mais de 10 "andares" de covas no local, localizado no bairro de Josefov, na cidade velha, abrangendo o território do gueto judaico na cidade checa. Muitas lápides são ricamente ornadas, trazendo símbolos diversos como animais, flores, a Arca da Aliança e a Cruz de Davi.
Dana Cabanova/Reprodução
Grande parte das 12 mil lápides do cemitério judeu são ricamente trabalhadas, trazendo símbolos tradicionais da religião hebraica (foto: Dana Cabanova/Reprodução)

Entre os judeus mais célebres enterrados no cemitério "turístico" de Praga está o rabino Loew Ben Bezalel, conhecido como Maharal, falecido em 1609, o filantropo e prefeito do gueto judaico Mordecai Marcus Meisel, enterrado em 1601, e o astrônomo e historiador David Gans, morto em 1613.

Uma teoria da conspiração também está associada a este importante atrativo da capital checa. Assim como foi usado por Umberto Eco em seu livro, o Antigo Cemitério Judeu de Praga teria sido palco de encontros secretos dos supostos anciãos do Monte Sião (que é localizado próximo a Jerusalém). Os líderes judeus, de acordo com a lenda, estariam combinando uma conquista do mundo pela comunidade hebraica. Esta teoria absurda, na verdade, surgiu após a publicação do livro Biarritz, do escritor alemão Hermann Goedsche, em 1868. O conteúdo antissemita da obra de Gordsche serviu de base para os textos russos conhecidos como Os Protocolos dos Sábios de Sião, e que foram publicados em vários idiomas. Quem também se apropriou da suposta conspiração judaica para disseminar o antissemitismo na Europa foi o líder nazista Adolf Hitler.

Deixando de lado as ideias conspiratórias, confira, abaixo, um vídeo que mostra alguns detalhes do Antigo Museu Judeu de Praga:

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