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Estado de Minas ECONOMIA

Minas Gerais virou a 'terra da lingerie'?

Juruaia, no sul do estado, e Taiobeiras, no norte, são verdadeiros polos de roupa íntima feminina


postado em 07/07/2016 10:40

Lingeries são roupas íntimas femininas que, ao longo da história humana, tornaram-se alvos de estudos, tanto pelo aspecto cultural (na idade média as chamadas "roupas de baixo" constituíam verdadeiro arsenal sob os as grandes saias), quanto pelo psicológico (para Freud, elas eram "ornamentos de fetiche"). Em Juruaia, cidade do sul de Minas Gerais, a lingerie ganhou outro componente, bem mais prático e contemporâneo: o econômico. A cidade, com pouco mais de 10 mil habitantes, possui cerca de 200 confecções que abrigam 5 mil empregos, ou 45% de todas pessoas que ali vivem. Juntas, elas produzem algo em torno de 1,6 milhão de peças e faturam R$ 20 milhões, por mês. Números impressionantes se se considerar que a saga da lingerie em Juruaia é relativamente recente. A primeira fábrica, do seu Alencar (um goiano que mais tarde seria conhecido como "Zé Carcinha"), surgiu em 1991.

A mais de mil km de Juruaia, no extremo norte mineiro, Taiobeiras, com 33 mil habitantes, segue uma trajetória semelhante. A economia local sempre girou em torno da agropecuária, mas há algum tempo o empreendedorismo "infectou" os moradores. Contando com o auxílio da prefeitura e do Sebrae Minas, o foco dos empreendedores passou para a lingerie. Um levantamento feito em 15 fábricas locais, entre 2013 e 2014, mostra que foram produzidas 41 mil peças, gerando um faturamento de R$ 256 mil e 71 empregos diretos. Números ainda tímidos, se comparados à consagrada Juruaia, mas que representam um bom começo. "São realidades muito diferentes. Juruaia 'vive lingerie', importa mão de obra e a maioria dos empreendimentos da cidade estão ligadas ao setor. Em Taiobeiras, isso ainda por acontecer. O segmento por aqui começou a se estruturar há apenas três anos", compara o analista do Sebrae Minas da Regional Norte, Filomeno Bida.

Sacoleiras

No sul de Minas, elas são chamadas de "sacoleiras"; no norte, de "rifeiros", já que, por lá, os homens também estão no negócio. Mas, a função é a mesma: escoar a produção e garantir as vendas das fábricas de lingerie. São figuras mais que conhecidas em Juruaia e que estão se multiplicando também em Taiobeiras.

Na economia de Juruaia, desde que o "Zé Carcinha" montou a primeira confecção, as sacoleiras têm papel fundamental, como explica Tânia Mara Resende, empresária e presidente da Associação Comercial e Industrial local: "Elas representam 50% dos nossos compradores. Muitas vieram e acabaram se fixando, ao criarem suas próprias confecções".

Na nortista Taiobeiras, os "rifeiros" começam a roubar a cena. Embora ainda no estágio de informais, estes revendedores autônomos não param de crescer. "A maioria das vendas é feita por eles e já há um projeto em implantação que visa a criação de um canal de comercialização conduzido pela Associação Moda Íntima e Praia de Taiobeiras, com apoio do Sebrae e da prefeitura", esclarece o analista Filomeno Bida. Os rifeiros seriam transformados em consultores de vendas nas cidades do norte de Minas e sul da Bahia (a fronteira está a menos de 100 km). "A intenção é, inclusive, criar um site para facilitar os pedidos e o cadastramento destas representantes", completa Bida.

Lingerie é um produto especial, realmente. Juruaia se impõe como o terceiro maior polo do setor no país, atrás apenas de Nova Friburgo (RJ) e Fortaleza (CE), com economia consolidada e futuro sempre promissor. Taiobeiras se prepara para entrar neste panteão.

(com Agência Sebrae)

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