Moradores de Barra Longa sofrem com a poeira resultante da tragédia de Mariana

A cidade mineira foi vítima da lama da barragem de rejeitos da Samarco, que, agora, está seca e vem causando doenças respiratórias na população

por Marcelo Fraga 01/08/2016 08:34

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Antonio Cruz/Agência Brasil/Divulgação
Em 2015, a lama contendo rejeitos de mineração, fruto do rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, chegou à cidade de Barra Longa e até hoje causa problemas (foto: Antonio Cruz/Agência Brasil/Divulgação)
O rompimento da barragem de rejeitos do Fundão, pertencente à mineradora Samarco, na cidade de Mariana, em novembro de 2015, continua causando prejuízos. A grande quantidade de lama contendo resíduos de minério escorreu por milhares de quilômetros e afetou várias cidades, entre elas, a pequena Barra Longa, em Minas Gerais – situada a 102 km de Belo Horizonte.

O município de seis mil habitantes fica às margens do rio do Carmo, um dos afluentes do Rio Doce, e está localizado a 60 km de onde ocorreu o rompimento da barragem de rejeitos. Barra Longa, assim como Bento Rodrigues (distrito de Mariana), foi desolada pela lama da mineração. Agora, menos de um anos depois do incidente, houve um aumento de mais de 1000% nos casos de doenças respiratórias nos moradores, nos primeiros cinco meses de 2016, de acordo com a prefeitura da cidade mineira.

A coordenadora das equipes de atendimento básico de saúde de Barra Longa, Vera Lúcia Maciel, afirma que o problema começou após a lama secar: "Os resíduos que vieram da barragem secaram e se tornaram poeira. O movimento de veículos nas ruas levanta essa poeira, que acaba sendo inalada pelas pessoas, principalmente nesta época do ano, onde o clima é mais seco".

Um levantamento realizado pela prefeitura da cidade revela que, de janeiro a maio de 2016, 289 pessoas com problemas respiratórios foram atendidas nos postos de saúde. Em 2015, foram apenas 22 casos desse tipo, no mesmo período do ano, o que representa um aumento de 1200% nos atendimentos.

"A maioria dos pacientes teve diagnóstico de insuficiência nas vias aéreas superiores, ou seja, doenças como sinusite, bronquite e amigdalite", explica Vera Lúcia Maciel. Ainda de acordo com a coordenadora de saúde, a poeira resultante da lama da barragem da Samarco causou outras doenças nos moradores de Barra Longa, como gastrite, dermatite, cefaleia e diarreia.

Para amenizar o problema, a ruas estão sendo molhadas três vezes ao dia, por meio de caminhões pipa contratados pela Samarco, de acordo com Vera Lúcia Maciel. Mesmo assim, ela reclama que isto está sendo feito somente na área urbana, deixando as zonas rurais da cidade desprotegidas.

A representante da prefeitura de Barra Longa conta que uma força tarefa foi criada em parceria com a secretaria de estado de Saúde de Minas Gerais e com o Ministério da Saúde para que sejam estudadas outras soluções que ajudem a reduzir os prejuízos causados pela lama em Barra Longa.

E pensar que os moradores da pequena cidade tinham medo é do caboclo d'água, um ser lendário que supostamente vive às margens do rio do Carmo, e que ajudava a manter as crianças longe da água, evitando, assim, o risco de afogamento. O problema é que a poeira tomou o lugar do ser mitológico.

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