Rodrigo Janot defende aborto para grávidas com zika vírus

Procurador-geral enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal sobre o polêmico tema

por Encontro Digital 08/09/2016 15:34

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Lula Marques/AGPT/Divulgação
O procurador-geral da república Rodrigo Janot enviou um parecer ao STF indicando o aborto em casos de contaminação da mãe pelo zika vírus (foto: Lula Marques/AGPT/Divulgação)
Em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da república, Rodrigo Janot, se posicionou favorável ao aborto para gestantes com o zika vírus, que pode causar microcefalia no bebê (uma má-formação cerebral).

O posicionamento de Janot foi proferido na manifestação do Ministério Público Federal (MPF) em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade aberta pela Associação Nacional dos Defensores Públicos, em que se questiona as políticas públicas do governo federal na assistência a crianças com microcefalia.

"A continuidade forçada de gestação em que há certeza de infecção pelo vírus da zika representa, no atual contexto de desenvolvimento científico, risco certo à saúde psíquica da mulher. Ocorre violação do direito fundamental à saúde mental e à garantia constitucional de vida livre de tortura e agravos severos evitáveis", escreve Janot no parecer.

Para o procurador-geral da república, as previsões legais para que o aborto seja permitido podem se aplicar aos casos relacionados à zika. Atualmente, a legislação permite a interrupção da gravidez quando não houver meios de salvar a vida da gestante, no caso de estupro e de fetos anencéfalos (autorizado em 2012 pelo STF).

Por analogia, Janot conclui que as ressalvas legais tem como objetivo proteger a mulher de desnecessários sofrimentos físicos e psíquicos, podendo ser aplicadas por analogia aos casos de zika.

Por fim, ele alega que a "autonomia reprodutiva, direito a saúde e a integridade física e psíquica seriam direitos fundamentais das mulheres violados pela criminalização do aborto" em caso de infecção pelo vírus.

Casos

Até 8 de julho, foram registrados 174.003 casos prováveis de infecção pelo zika vírus, com 78.421 confirmados. Entre as gestantes, foram 14.739 casos prováveis e 6.903 confirmados, de acordo com Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. Até junho, haviam sido confirmados mais de 1,6 mil casos de microcefalia no país.

Transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o zika vírus começou a circular no Brasil em 2014, mas teve os primeiros registros feitos pelo Ministério da Saúde em maio de 2015. Ele provoca sintomas semelhantes aos da dengue e da febre chikungunya, só que mais leves,. Em novembro de 2015, o Ministério da Saúde confirmou que, quando gestantes são infectadas pelo vírus, podem gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro, que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos. A Síndrome de Guillain-Barré também está sendo associada ao zika.

A microcefalia pode ter como causa diversos agentes infecciosos, como sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes viral.

A principal recomendação do ministério a gestantes é a de adotarem medidas que possam reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.

(com Agência Brasil)

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