Estudo mostra que efeitos negativos do zika vírus no cérebro dos bebês continua após o nascimento

Os cientistas descobriram que uma criança nasceu com o vírus e permaneceu com ele por um longo tempo

por Encontro Digital 26/10/2016 09:32

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Sumaia Villela/Agência Brasil/Divulgação
(foto: Sumaia Villela/Agência Brasil/Divulgação)
Uma estudo brasileiro recente traz um alerta importante em relação ao zika vírus: o micro-organismo pode continuar danificando o cérebro dos bebês por semanas após o nascimento. Ainda não se sabe por quanto tempo o zika permanece ativo no organismo das crianças, mas, segundo os cientistas, existem evidências de que isso pode ocorrer por um período suficiente para agravar as lesões formadas durante a gestação.

Um grupo de 20 pesquisadores de São Paulo, que integram a Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus (Rede Zika), publicou na sessão de correspondências do New England Journal of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas médicas do mundo, a descrição do caso de um bebê do sexo masculino que foi infectado pelo vírus ainda durante a gestação e que manteve o micro-organismo ativo no organismo por ao menos 67 dias após o parto. "Ainda não se havia descrito uma infecção tão prolongada após o nascimento", afirma o virologista Edison Durigon, da Universidade de São Paulo (USP), um dos autores do estudo.

Um teste molecular confirmou que o menino tinha o vírus ativo no organismo e exames sorológicos indicaram que a infecção havia ocorrido ainda durante a gestação. Por volta da 26ª semana de gravidez, a mãe apresentou febre, dores de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo, menos de um mês depois de seu marido ter retornado de uma viagem ao nordeste, durante a qual desenvolveu sintomas semelhantes. "Existe a ideia de que as infecções congênitas são mais graves quando ocorrem no início da gestação. Mas, nesse caso, a infecção por zika aparentemente ocorreu mais tarde e também causou danos", diz a pediatra Eitan Berezin, da Santa Casa de São Paulo, responsável pelo atendimento ao bebê.

Os pesquisadores não sabem dizer por quanto tempo o zika continuou ativo no corpo da criança, que nasceu em janeiro deste ano. Por volta de meados de março, os pais do bebê tiveram dificuldade de seguir com as consultas no hospital e o acompanhamento dos cientistas passou a ser a distância. Um exame de ressonância magnética realizado no final de fevereiro indicava que as lesões no cérebro ainda continuavam ativas. "O vírus continuou a se reproduzir e a lesar o tecido cerebral mesmo após o nascimento", afirma Edison Durigon.

Em agosto, a pedido dos editores da revista New England, a equipe médica voltou a avaliar o garoto. Ele já estava livre do vírus, mas o exame clínico mostrou que apresentava algumas restrições de movimento: tinha algum grau de paralisia em um dos lados do corpo e dificuldade para segurar objetos. "Esses efeitos só são percebidos à medida que a criança se desenvolve porque é quando deveria começar a adquirir certas habilidades. Para esse garoto, em particular, acho que a fisioterapia pode ajudar a melhorar os movimentos para que ele venha a ter um bom padrão de independência", explica a pediatra Eitan Berezin.

O infectologista da USP vê no caso um sinal de alerta. "Não sabemos nada sobre o que ocorre com as crianças que adquirem o vírus após o nascimento. Estamos em uma espécie de entressafra da epidemia, com o risco de enfrentar em breve uma segunda onda de zika. Deveríamos estar preparados para iniciar o acompanhamento dessas crianças", diz Durigon

(com Agência Fapesp)

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