Pensar na morte o tempo todo é saudável?

Especialista esclarece esse tipo de pensamento 'mórbido', muito comum em pessoas no mundo todo

por João Paulo Martins 12/12/2016 17:37

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Especialista diz que ter pensamentos constantes sobre a morte é algo comum, e que, raramente, se transforma em uma patologia (foto: Pixabay)
Em entrevista ao site de notícias de celebridades Hollywood Reporter, o estilista e diretor de cinema Tom Ford revelou que pensa na morte o tempo todo. "Morte é tudo o que penso. Não existe um dia ou uma hora em que não penso na morte", diz o empresário americano de 55 anos, que já foi diretor criativo das grifes Gucci e Yves Saint Laurent. Mas, assim como Tom Ford, muitas pessoas pensam na morte o tempo todo. Até que ponto isso é saudável?

De acordo com a psicóloga Pelin Kesebir, pesquisadora do Centro para Mentes Saudáveis da Universidade Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, muitas pessoas compartilham essa tendência "mórbida" de Ford. "Ficar preocupado com a morte é muito comum e natural", diz Kesebir em entrevista ao site americano Live Science. Ela conta que a preocupação constante com o fim da vida pode levar a problemas psicológicos, mas que isto só ocorrem em casos raros.

"Pensamentos sobre a morte podem ser o estopim para a ansiedade e o medo em algumas pessoas. Porém, para outras, isso pode ser uma fonte de esclarecimento e sabedoria", esclarece a psicóloga.

Curiosamente, um dos ramos da psicologia, o existencialismo, que estuda como a busca pelo significado de nossa existência afeta o comportamento humano, acredita que a base para a maioria dos problemas psicológicos mais comuns pode ser encontrada na ansiedade das pessoas em relação à morte. "Na verdade, as pessoas, normalmente, não têm medo da morte em si, mas de não terem vivido uma vida de forma adequada", afirma Pelin Kesebir.

A especialista lembra que ter pensamentos frequentes sobre a morte é natural da forma como se dá o processo mental no ser humano. "Enquanto nossa mente nos deixa amedrontados sobre a mortalidade inevitável, essa preocupação entra em choque com nosso desejo biológico pela vida", completa a cientista americana.

Como lidar?

Para as pessoas que ficam preocupadas com os constantes pensamentos sobre a morte, Kesebir sugere que façam um teste e imaginem como seria viver para sempre e as implicações que isso teria. Ela lembra que, apesar dessa experiência ajudar para que alguns vejam a morte como algo bom e necessário, outros podem ter dificuldade de se sentir desta forma, emocionalmente falando.

"A melhor forma de aceitar a morte é levar uma vida boa, com valores que estejam em harmonia com os da própria pessoa", diz a pesquisadora da  Universidade Wisconsin-Madison.

Outra forma de minimizar a ansiedade gerada por esse pensamento "mórbido" é entender como se dá o "evento final". Pelin Kesebir conta que muitos pacientes que vivenciaram a chamada Experiência de Quase Morte, adquiriram maior apreço e satisfação pela vida, ampliaram o sentido das relações interpessoais, aumentaram a crença em si mesmos e mudaram as prioridades.

(com Live Science)

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