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Estado de Minas BEM-ESTAR

Uso de anabolizantes está ligado a problemas da tireoide e da concentração de glicose no corpo

Estudos mostram que os esteroides anabolizantes podem causar doenças graves como diabetes, câncer e até infarto


postado em 16/01/2017 08:05

Estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) comprova que o tratamento com o esteroide anabolizante altera os hormônios da tireoide e o metabolismo da glicose, gerando resistência à insulina e alterações na produção de glicose quando se está em jejum.

Informações obtidas pela Agência Brasil revelam que os dois estudos demonstram que a utilização crônica de anabolizantes pode levar a alterações dos hormônios do organismo, o que acarreta modificações importantes nas taxas de glicemia, colesterol e triglicerídeos, impactando negativamente na saúde dos indivíduos que fazem uso destas substâncias.

A comprovação das implicações que o uso dos esteroides e dos impactos que podem causar no organismo é considerada importante pelos pesquisadores para a conscientização da população e para profissionais da área de saúde, incluindo professores de Educação Física, sobre os efeitos colaterais relacionados à utilização de anabolizantes.

Para o coordenador do estudo, Rodrigo Fortunato, "é muito importante que esses profissionais estejam bem informados para poderem esclarecer o público sobre o tema, exercendo, assim, o papel de promotores da saúde e do bem-estar da população". Fortunato coordenou a pesquisa junto com o aluno de mestrado Luiz Fernando Fonteboa.

Radicais livres

Os pesquisadores da UFRJ também concluíram que a utilização de doses elevadas de anabolizantes aumenta a produção de radicais livres em tecidos como fígado, rins e coração. "É importante ressaltar que os radicais livres podem interagir com macromoléculas celulares como lipídios, proteínas e ácidos nucleicos, o que está associado a diversas doenças, como diabetes, câncer e infarto do miocárdio", alerta o coordenador do estudo.

As informações indicam que duas pesquisas estão em andamento com praticantes de musculação que relataram o uso de esteroides. Estão sendo avaliadas a produção e detoxificação (eliminação) de radicais livres no sangue e suas consequências fisiológicas; a relação entre hipertensão arterial e o sistema renina angiotensina (relacionado ao controle da pressão arterial); além de marcadores inflamatórios.

Educação física

Ao comentar a pesquisa, o presidente do Conselho Regional de Educação Física do Rio de Janeiro e Espírito Santo, André Dias de Oliveira Fernandes, afirmou que qualquer pesquisa desenvolvida com o tema é importante para que os profissionais de Educação Física possam estar conectados com o que há de mais novo sobre o assunto.

Segundo Fernandes, sempre se pode acrescentar dados e fatos novos às discussões sobre o uso de esteroides anabolizantes em competições esportivas, que têm, inclusive, órgãos de fiscalização próprios para coibir o uso dessas substâncias, inclusive para fins estéticos.

Para o presidente do conselho, é preciso cuidado na busca de informações em redes sociais ou com pessoas sem formação, "de modo que essa busca, muitas vezes ligada à estética, não afete a saúde e gere problemas com consequências sérias no futuro". Ainda de acordo com André Fernandes, havendo dúvidas no início de um exercício físico, o conselho regional pode ser consultado para saber se o profissional que está orientando a atividade é devidamente habilitado.

Anabolizantes

Os esteroides anabolizantes são compostos sintéticos derivados da testosterona, cuja ação fisiológica desenvolve efeitos divididos em duas categorias principais: os androgênicos e os anabólicos. A primeira categoria diz respeito à função reprodutora e manutenção das características sexuais masculinas, enquanto a segunda está relacionada ao estímulo do crescimento e da maturação dos tecidos não-reprodutores, entre eles, os tecidos muscular e ósseo.

No início dos anos 1950, fisiculturistas e halterofilistas começaram a utilizar os esteroides para melhorar a aparência física e o rendimento atlético. Sua utilização, no entanto, vem aumentando em larga escala desde a década de 1970, se disseminando também entre praticantes de outras modalidades esportivas e de exercícios recreacionais.

"As doses utilizadas por esses indivíduos chegam a ser 100 vezes maiores do que as concentrações fisiológicas de testosterona. Estão associadas a uma série de efeitos colaterais, que variam de acordo com a dose e o tempo de administração das drogas, sendo alguns deles irreversíveis", alertam os pesquisadores da UFRJ.

(com Agência Brasil)

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