Pele da tilápia está ajudando a tratar queimaduras graves

Estudo realizado no Ceará mostra que a pele desse peixe é muito eficaz para queimaduras de segundo e terceiro graus

por Encontro Digital 10/03/2017 13:45

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YouTube/Diario de Pernambuco/Reprodução
De forma inédita no mundo, um estudo feito no Ceará está comprovando a eficácia do uso da pele da tilápia no tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus (foto: YouTube/Diario de Pernambuco/Reprodução)
Um novo tratamento cirúrgico desenvolvido no Ceará está trazendo conforto às pessoas que sofrem queimaduras de segundo e terceiro graus: trata-se da utilização da pele da tilápia como curativo temporário ou tampão. A prática está sendo testada pelo cirurgião plástico Edmar Maciel, presidente da ONG Instituto de Apoio ao Queimado e coordenador do Instituto José Frota, ambos situados em Fortaleza.

De acordo com o médico, antes de usar a pele da tilápia em seres humanos que sofreram queimaduras de segundo e terceiro graus, foram feitos diversos estudos histológicos [dos tecidos do peixe]. "Constatamos que a tilápia tem uma maior quantidade de colágeno dos tipos 1 e 3, proteínas importantíssimas para a cicatrização de queimaduras. A partir desses estudos, aprofundamos as pesquisas para o que chamamos de fase pré-clínica. No total, foram realizadas 14 etapas, que incluíram testes em animais, para só então aplicarmos em humanos vítimas de queimaduras", esclarece Edmar Maciel.

O cirurgião plástico conta que a ideia da utilização da pele da tilápia em queimados surgiu há cinco anos. Ele informa ainda que estão concluídos os estudos em pacientes com queimaduras de segundo grau, superficiais e profundas, analisados na chamada Fase Clínica 2. "Agora, por exigência da Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária], terão início os estudos da chamada Fase Clínica 3, na qual serão utilizadas aplicações em 120 pacientes de ambulatório, depois, em 30 crianças internadas. Todas elas vítimas de queimaduras de terceiro grau", diz o médico.

Como mostra Maciel, as queimaduras de primeiro grau, como as causadas pelo excesso de exposição ao sol, não precisam da nova técnica baseada na tilápia, porque a camada mais superficial da pele humana, a epiderme, tende a se recompor naturalmente. Só mesmo as queimaduras de segundo e terceiro graus, que implicam em perda de tecido epitelial, necessitam de tal aplicação.

Queimaduras de segundo grau são as que resultam, por exemplo, do contato com superfícies aquecidas, como um ferro de passar roupa. São queimaduras que formam bolhas que necessitam ser rompidas cirurgicamente. Já as queimaduras de terceiro grau envolvem lesões profundas na pele, provocadas por desastres, explosões e incêndios, contato com fogo e líquidos inflamáveis aquecidos ou qualquer outra substância de alto poder de corrosão.

Entenda melhor o novo procedimento na matéria abaixo:

(com Agência Sputnik)

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