Cientistas descobrem que nordeste do país teve chuvas colossais há quase 20 mil anos

Mudança no oceano Atlântico teria criado um período chuvoso fora do comum na região

por Encontro Digital 18/04/2017 13:11

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Laboratório de Processamento de Imagens da Ufal/Divulgação
Há 18 mil anos, mudanças no fluxo das águas do oceano Atlântico teria causado chuvas excessivas no nordeste do Brasil (foto: Laboratório de Processamento de Imagens da Ufal/Divulgação)
Há aproximadamente 18 mil anos, uma alteração no fluxo das águas do oceano Atlântico levou a um gigantesco aumento do volume de chuvas na região nordeste do Brasil. A descoberta dessa mudança drástica é fruto de uma pesquisa realizada na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, a partir da análise de sedimentos acumulados nas proximidades da desembocadura do rio Parnaíba, na divisa do Piauí com o Maranhão. O artigo foi publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters.

Devido à maior pluviosidade, a caatinga deu lugar a árvores de grande porte e a erosão criou imensos canais ao longo do leito dos rios.

O objetivo principal da pesquisa era determinar o impacto de períodos muito específicos do passado geológico nas chuvas sobre a região nordeste da América do Sul, onde se situa o nordeste brasileiro. Segundo o professor Cristiano Chiessi, da USP, que participou do estudo, houve um enfraquecimento muito marcante da Célula de Revolvimento Meridional Atlântico, que é a circulação de água em grande escala que ocorre no oceano Atlântico. As águas quentes e com alta salinidade do Atlântico Sul são levadas para as altas latitudes do Atlântico Norte, ganhando densidade, afundando e voltando para o sul mais frias e em maiores profundidades.

A circulação das águas teria sido afetada em dois períodos no passado geológico recente, o Heinrich Stadial I (entre 18 e 15 mil anos atrás) e o Younger Dryas (entre 12,9 e 11,7 mil anos atrás). "Esses eventos provocaram o enfraquecimento ou até a estagnação da circulação de água, que deixou de transportar para o Hemisfério Norte uma quantidade de calor quase 100 mil vezes maior que a potência máxima da hidrelétrica de Itaipu. O calor não transportado ficou no Hemisfério Sul, o que causou grandes impactos na precipitação da região tropical", esclarece o pesquisador.

A precipitação ocorrida no nordeste do Brasil nesse período teria sido extremamente alta, como nunca registrado desde que começou a medição direta, com os instrumentos que temos hoje. Assim, o mais provável é que esse aumento nas chuvas tenha intensificado a erosão das margens dos rios e levado maior quantidade de sedimentos para o oceano.

De acordo com Cristiano Chiessi, a grande quantidade de chuvas teria mudado de forma radical a vegetação e o desenho do relevo do nordeste brasileiro. "Ao longo de um período entre 18 e 15 mil anos atrás, a vegetação rasteira da caatinga foi substituída por formações arbóreas de grande porte. Pelos leitos dos rios, a erosão das margens criou canais fluvais cujo tamanho é incompatível com os padrões de drenagem atuais", afirma o professor da USP.

(com Jornal da USP)

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