Liberação de pouso de grandes aeronaves na Pampulha continua sem consenso

Moradores do entorno do aeroporto, administradora de Confins e deputados são contra a proposta

por Encontro Digital 27/04/2017 15:44

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Apollo BR/Wikimedia/Reprodução
Apesar do interesse da PBH e da Infraero, moradores do entorno do aeroporto da Pampulha e a empresa que administra Confins são contra retomada de voos nacionais no terminal de BH (foto: Apollo BR/Wikimedia/Reprodução)
A retomada de voos comerciais de grande porte no aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, foi rechaçada pela maior parte dos participantes da audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada na terça-feira, dia 25 de abril.

Durante a reunião, os principais argumentos utilizados foram relacionados à necessidade de não gerar competição com o aeroporto internacional de Confins. Os defensores dessa tese acham importante não atrapalhar a conectividade de Belo Horizonte com a malha aérea nacional e internacional e, ainda, que é preciso garantir a segurança jurídica dos investidores da concessionária que administra o terminal de maior movimento.

Paulo Cesar Rangel, diretor-presidente da BH Airport, concessionária que administra Confins, criticou a possibilidade de transferência de voos para a Pampulha. "Se soubéssemos que o aeroporto da Pampulha seria reaberto pouco tempo depois, não teríamos entrado no leilão", afirma o emrpesário. Para ele, a competição entre os dois terminais seria predatória. Ele cita estudos que indicam que os dois aeroportos dividem o mesmo espaço de captação de passageiros. Por fim, destaca que as passagens, segundo tais estudos, devem aumentar de preço e que a possibilidade de aumentar as conexões entre voos deve ser reduzida em Confins diante da reabertura da Pampulha.

Impactos ambientais

Os moradores da Pampulha também se manifestaram contra o retorno das grandes aeronaves. O representante da Associação dos Moradores do Bairro Jaraguá, Rogério Carneiro de Miranda, lembra que é preciso considerar os impactos ambientais. Segundo ele, no entorno do aeroporto moram 160 mil pessoas, que seriam diretamente prejudicadas pela poluição sonora.

"A Infraero [que administra o aeroporto da Pampulha] vai ganhar dinheiro com a volta dos voos. As empresas, os taxistas, os donos de restaurantes: todos vão ganhar. Mas, o impacto ambiental será socializado", comenta o representante dos moradores.

Porém, quem se posicionou favoravelmente à retomada dos voos na Pampulha defendeu que não haverá competição entre os dois aeroportos, e sim, uma complementaridade. O superintendente do terminal de Belo Horizonte, Mário Jorge de Oliveira, ressalta que as exigências de segurança da Agência Nacional de Aviação (Anac) têm sido cumpridas. Ele salienta, ainda, que o aeroporto da Pampulha pode receber aviões do porte do Boeing 737. "Não estamos buscando conexões internacionais. Confins continuará sendo o principal aeroporto", afirma o superintendente, complementando que três companhias aéreas já manifestaram interesse em operar no terminal. Oliveira explica que o plano é manter no máximo três voos por hora e não funcionar no período noturno.

Quem também defendeu essa posição foi o secretário adjunto municipal de Desenvolvimento Econômico de Belo Horizonte, Bruno Miranda. Para ele, não se pode defender de forma incondicional a concessão que hoje administra Confins. "Precisamos conversar com moradores, comerciantes e usuários dos dois aeroportos", completa o secretário.

Deputados são contra

Os parlamentares presentes na audiência pública na ALMG se posicionaram contrários à proposta de reativação do aeroporto da Pampulha. "É preciso respeitar os investidores, que geram emprego, renda e impostos", afirma o deputado Roberto Andrade (PSB), referindo-se à concessionária BH Airport. Ele ressalta que é preciso avaliar os possíveis impactos dessa medida, especialmente para o turismo de eventos.

Já o deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB) salienta que o aeroporto de Confins é parte de um projeto maior de desenvolvimento do vetor norte da capital mineira, ao lado de outros investimentos, como a Cidade Administrativa. "Não podemos dar marcha a ré nesse processo", diz o parlamentar.

(com assessoria da ALMG)

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