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Estado de Minas SAúDE

Entenda melhor o estrabismo nas crianças

Alguns tipos de desvio nos olhos podem ser corrigidos com cirurgia ainda na infância


postado em 02/05/2017 13:09

Problema que afeta a vida de muitas pessoas no mundo, o estrabismo ocorre quando há desalinhamento dos eixos visuais. Esta condição se desenvolve quando os músculos oculares não funcionam em sincronia, portanto, os olhos não se movem de forma coordenada.

Esse problema não é apenas estético. O estrabismo impacta diretamente a formação da visão binocular (estereopsia), ou seja, quando o cérebro funde as duas imagens captadas pelos olhos em uma só. A visão binocular é fundamental para enxergar um campo visual maior e para dar a noção de profundidade, assim como para vermos imagens em 3D. Segundo a oftalmologista Marcela Barreira, essa condição, quando não tratada, também pode levar à perda da acuidade visual decorrente da ambliopia (olho preguiçoso).

A especialista lembra que o diagnóstico do estrabismo deve ser feito o mais cedo possível. "Sabemos que, quanto antes a cirurgia for feita, maior a chance de melhorar ou adquirir certa capacidade de visão binocular, por exemplo. Por outro lado, há muitas dúvidas dos pais em relação à cirurgia em crianças, muitas vezes bebês. Devemos, antes de mais nada, diferenciar que tipo de estrabismo estamos falando, pois as indicações cirúrgicas e o momento mais adequado de se operar variam bastante dependendo deste fator", explica a médica.

A oftalmologista esclarece que o estrabismo convergente (olhinho para dentro) é o tipo mais comum do problema nas crianças e pode estar presente desde o nascimento. "Neste caso, a indicação de cirurgia pode ser precoce, por volta de um ano de idade, podendo variar um pouco dependendo da experiência de cada profissional. Mas, em média, a cirurgia deve ocorrer entre 10 meses e um ano e meio", diz Marcela Barreira.

Já em relação aos desvios divergentes constantes (olhinho para fora), principalmente em bebês e crianças muito pequenos, é preciso verificar e investigar se existem alterações neurológicas. "Esse tipo de desvio é muito raro e, com certa frequência, está associado a crianças com atraso de desenvolvimento por paralisias cerebrais, complicações no parto, dentre outras", comenta a médica.

Temos ainda o estrabismo divergente intermitente, ou seja, quando em alguns momentos a criança está com os olhos alinhados e, em outros (principalmente quando está cansada, com sono ou não está focando em nada), o olho está desviado para fora, são muito comuns nas crianças. "São muito mais benignos quando se trata de perder a visão binocular. Isso porque a criança tem momentos de alinhamento ocular e isso é suficiente para garantir o desenvolvimento da estereopsia", explica a oftalmologista.

Como mostra Marcela Barreira, as crianças com desvios divergentes intermitentes, no geral, são operadas um pouco mais tarde, principalmente se apresentam o desvio bem controlado, ou seja, desviam o olhinho em poucos momentos do dia. "Tudo isso porque o desenvolvimento visual completo e normal é possível, independente da presença do desvio, e devido ao fato de desvios compensados terem chance de não necessitarem de cirurgia. Esses são casos que procuramos operar acima de três anos e meio a quatro anos, sempre com alguma variação, dependendo da preferência do cirurgião", esclarece a especialista.

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