Estudo brasileiro descobre bactérias que ajudam plantas a resistirem à seca

Embrapa espera que, no futuro, a pesquisa seja aplicada a diversas culturas, como soja e milho

por Encontro Digital 24/05/2017 11:43

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Pixabay
A expectativa da Embrapa é que, em breve, sementes possam ser fortificadas com as bactérias que ajudam as plantas a resistirem à falta de água (foto: Pixabay)
Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em São Paulo, descobriram um grupo de bactérias que possui potencial para ajudar plantas que sofrem com a escassez de água. O trabalho, inédito para a agricultura tropical, mostra que esses microrganismos conseguem reduzir os efeitos do estresse hídrico em soja, milho e trigo, além de propiciar maior crescimento destas espécies vegetais.

A expectativa dos cientistas é viabilizar, no futuro próximo, o uso dessas bactérias para tratamento de sementes de diversas espécies agrícolas, principalmente em regiões com baixa precipitação pluviométrica como o semiárido do Brasil e para culturas muito sensíveis à seca. A ideia é fornecer células da bactéria para tratamento de sementes.

"Por enquanto, só existe essa pesquisa sobre essa tecnologia em agricultura tropical, a qual, de fato, sofre maior impacto da seca", ressalta o pesquisador Itamar Melo, da Embrapa, responsável pelo estudo. De acordo com ele, a inspiração para o trabalho veio da natureza. As xerófitas, plantas adaptadas aos climas áridos e desérticos, associam-se a microrganismos que as auxiliam a desenvolver mecanismos de proteção celular contra o estresse hídrico. A ideia é utilizar as bactérias nas culturas comerciais que, devido às mudanças climáticas, tendem a sofrer cada vez mais com a redução da oferta de água. Os microrganismos hidratam raízes ou interferem na fisiologia dos vegetais que, desse modo, resistem mais ao estresse hídrico.

Caatinga

No famoso bioma brasileiro da caatinga, que está inserido no clima semiárido nordestino, existem xerófitas com alta resistência aos períodos de seca. Estas plantas associam-se a microrganismos que também se encontram bem-adaptados, desenvolvendo mecanismos de proteção celular contra o estresse hídrico, assim como proteção vegetal contra os efeitos negativos da dessecação.

O estudo da Embrapa buscou compreender as bactérias associadas às cactáceas da caatinga, analisando a estrutura das comunidades bacterianas de solo e da rizosfera (onde estão as raízes) da espécie Cereus jamacaru, durante a alteração do período chuvoso para o de seca, identificando os grupos dominantes e discutindo algumas funções que possibilitem a manutenção da interação solo-cacto-microrganismo durante o período seco.

Além disso, a pesquisa buscou selecionar bactérias tolerantes à seca e que fossem capazes de promover crescimento de plantas sob estresse hídrico. Amostras foram coletadas ao longo da caatinga, em cinco estados: Bahia, Ceará, Piauí, Paraíba e Rio Grande do Norte. Com o uso de metodologias independentes de cultivo, foi possível observar que o período de amostragem, chuvoso ou seca, foi o principal responsável pela alteração na estrutura das comunidades bacterianas.

(com assessoria de imprensa da Embrapa)

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