Mudança de endereço do Museu da Imagem e do Som é criticada por vereadores

Os parlamentares questionam a incapacidade do Cine Santa Tereza em receber o acervo do MIS

por Encontro Digital 09/05/2017 12:15

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Rafa Aguiar/CMBH/Divulgação
Em visita ao Museu da Imagem e do Som e ao Cine Santa Tereza, vereadores de Belo Horizonte criticaram a proposta da PBH de mudar a sede do MIS (foto: Rafa Aguiar/CMBH/Divulgação)
O anúncio da Prefeitura de Belo Horizonte de transferir o Museu da Imagem e do Som (MIS) da atual sede, um casarão tombado na avenida Álvares Cabral, no bairro de Lourdes, para as dependências do Cine Santa Tereza, motivou a realização de uma visita técnica aos dois equipamentos, promovida pela Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) na segunda, dia 8 de maio. Os vereadores Arnaldo Godoy (PT) e Pedro Patrus (PT), que requisitaram a visita, demostraram preocupação com a mudança, uma vez que o espaço destinado às novas instalações do MIS possui apenas 150 m², o que seria inadequado para abrigar o acervo de mais de 90 mil itens, bem como toda a equipe técnica e administrativa.

Yuri Mello Mesquita, diretor do arquivo e dos museus e centros de referência da Fundação Municipal de Cultura, esclareceu que no dia 2 de maio, a PBH anunciou um investimento de R$ 1,3 milhão para reformas do Cine Santa Tereza – espaço que irá abrigar o acervo e os funcionários do MIS, com o objetivo de otimizar os equipamentos culturais, que ocupam hoje dois espaços distintos. Em conversa com a prefeitura, quando foram explicadas todas as especificidades técnicas do acervo, Mesquita afirma que "a garantia que nós tivemos é que, enquanto todos os critérios técnicos para a transferência do acervo não forem concluídos, independentemente do espaço que fosse destinado, ele não sairia daqui".

Por sua vez, Victor Louvisi, museólogo do MIS, denuncia que nenhum funcionário foi consultado acerca da decisão, que deve afetar todas as atividades do espaço. "Nós fomos pegos de surpresa. Existe todo um agendamento de escolas até o final do ano com ações educativas, que não foram levadas em consideração, sem contar que todas as melhorias conseguidas para este espaço foram construídas ao longo do tempo e com muita dificuldade", reclama o museólogo.

Sob o ponto de vista da vereadora Cida Falabella (Psol), qualquer mudança tem que ser precedida de debates entre os agentes envolvidos. "Na cultura, fechar uma janela sempre é muito penoso porque para conseguir abrir um espaço, são anos de luta", diz a parlamentar. Na mesma perspectiva, Arnaldo Godoy se mostrou preocupado com a segurança do acervo. Para ele, "o que foi construído com o trabalho dos servidores, da cidade e dos segmentos artísticos, de audiovisual e fotografia, sofrer uma desapropriação desta natureza traz grandes prejuízos para o setor".

Cine Santa Tereza

Questionada pelos parlamentares acerca da mudança para o novo espaço, Ana Amélia Martins, técnica de Programação do Cine Santa Tereza, informa que a decisão da PBH em unificar os espaços, sob a alegação de gerar economia e fomento para a capital, traz uma grande preocupação. Com apenas 150 m², a área que irá abrigar as estruturas físicas do MIS é destinada, hoje, às exposições e oficinas, espaço que já foi objeto de grande reivindicação da comunidade.

Para Martins, o Cine Santa Tereza também será afetado e sua programação será prejudicada. "Como não existe espaço suficiente, a gente considera que esta medida vai causar o fechamento de um equipamento cultural. Este processo, além de ter sido autoritário, ninguém planejou com a gente quais seriam estes impactos", argumenta a técnica.

(com Superintendência de Comunicação Institucional da CMBH)

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