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Estado de Minas SAúDE

Número de mortes entre gestantes caiu no Brasil, mas ainda preocupa

Especialista esclarece quais fatores são responsáveis pelas mortes vinculadas à gravidez


postado em 29/05/2017 09:42

Hipertensão e hemorragia estão entre as principais causas da mortalidade materna no Brasil e no mundo, e ocorrem principalmente pela má qualidade da assistência no pré-natal e no parto. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que cerca de 830 mulheres morrem de complicações com a gravidez ou relacionadas com o parto todos os dias.

Segundo o Ministério da Saúde, a mortalidade materna no Brasil caiu 58% entre 1990 e 2015, de 143 para 60 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos. Levando em consideração os dados de 2010 e 2015, sendo o último ano ainda com dados preliminares, a proporção da mortalidade materna diminuiu de 12%, saindo de 67,9 para 60 óbitos por 100 mil nascidos. Para Nelson Sass, vice-reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e professor da Escola Paulista de Medicina, nosso país fez muitos progressos nos último anos na redução da mortalidade materna, mas ainda está longe do ideal.

Sass explica que a proporção, no Japão, por exemplo, é de seis óbitos de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. No Brasil, segundo ele, os números são bastante heterogêneos e podem variar conforme a região do país, de 44 a 110 óbitos por 100 mil nascidos vivos. "Ainda que tenhamos uma rede de atendimento, não adianta só quantidade. A qualidade da assistência precisa ser revista. As mulheres parecem ter dificuldade no segmento de atendimento, com consultas muito distantes ou não se adota prevenção. Quando você tem um alto número de mulheres que morrem de pré-eclâmpsia, por exemplo, o gestor tem que entender o porquê, e qualificar essa assistência", comenta o professor.

De acordo com Sass, o setor de saúde registra, hoje, crises importantes em todos os locais por causa do subfinanciamento e uma rede não muito bem articulada. "Não existe uma política de saúde que se dê sequencia com a troca de gestores", argumenta o vice-reitor da Unifesp.

Morte de gestantes

A morte materna ocorre durante a gestação ou 42 dias após o parto, quando as mulheres são acometidas por doenças obstétricas, em razão da gestação, ou por complicações de doenças pré-existentes. Entretanto, Nelson Sass esclarece que é muito difícil encontrar algo que contraindique a gravidez. O que acontece, segundo ele, são condições de risco que merecem um pré-natal mais cuidadoso.

As principais causas de morte são pressão alta durante a gravidez, hemorragia após o parto, infecções e aborto. O professor explica que a morte materna se associa à qualidade de vida e de assistência, por isso os indicadores são piores em países em desenvolvimento e em locais com poucos recursos.

Quanto mais precária a assistência, a hemorragia acaba sendo a primeira causa de morte materna. Já no grandes centros, a hipertensão acaba se destacando, por causa de uma qualidade de pré-natal não adequado.

Pré-eclâmpsia

Números da Sociedade Internacional de Estudos sobre Hipertensão na Gravidez mostram que, todos os anos, quase 76 mil mães e 500 mil bebês no mundo morrem por causa da pré-eclâmpsia. A doença afeta de 8% a 10% das gestações no mundo e responde por 20% de todas as hospitalizações para tratamento intensivo neonatal.

Segundo Nelson Sass, a pré-eclâmpsia é uma doença grave relacionada ao aumento da pressão arterial, mas é pouco entendida e com evolução rápida e imprevisível. Aparece depois das 20 semanas de gestação com sintomas que se sobrepõem e que podem ser considerados normais na gestação, como inchaço, dor de cabeça, ganho excessivo de peso e dificuldade de respirar.

"Sabemos o que precisa acontecer para se ter hemorragia, mas a maioria das mulheres nunca ouviram falar em pré-eclâmpsia. Por isso, essas entidades querem sensibilizar as mulheres a saber que a doenças existe", afirma o vice-reitor.

(com Agência Brasil)

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