Estudos mostram que o sono é muito influenciado pelo ambiente

Exposição à luz solar e à elétrica faz a diferença na hora de dormir, de acordo com pesquisas da USP

por Encontro Digital 28/07/2017 14:51

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
Segundo o estudo da USP, moradores do norte e nordeste do Brasil dormem e acordam mais cedo do que os do centro-sul do país, devido à exposição maior ao Sol (foto: Pixabay)
Pesquisas realizadas pelo professor Mário Pedrazzoli Neto, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP, revelam que as características do sono estão ligadas ao ambiente em que as pessoas vivem. De acordo com os estudos, que foram publicados em meados de julho na revista científica Scientific Reports, do renomado grupo Nature, o sono seria uma resposta do organismo às condições externas do ambiente em que uma determinada pessoa está inserida e não mais uma necessidade inflexível da raça humana.

Após aproximadamente cinco anos de estudo e com a ajuda de outros pesquisadores, o professor da EACH chegou a essa conclusão por meio de duas pesquisas, uma delas realizada em âmbito nacional e a outra em nível internacional.

O estudo feito no Brasil avaliou 12.884 pessoas localizadas em diferentes regiões do país, ou seja, em diferentes latitudes. O objetivo era testar se a latitude está associada à regulação do ritmo circadiano nos seres humanos. Ritmo circadiano é o termo científico que designa o relógio biológico do homem, sendo influenciado pela variação da luz, temperatura e outros fatores.

"A pesquisa nos mostrou que as pessoas no norte e nordeste do Brasil dormem e acordam mais cedo do que as pessoas que vivem no sul do país em função de como estão expostas à luz do Sol. O que acontece em Natal, São Paulo e Porto Alegre é um reflexo do que ocorre ao longo do país: quanto maior a exposição à luz solar, mais o homem acorda e dorme mais cedo", esclarece Mário Pedrazzoli Neto.

Zona urbana e ambiente rural

Já no cenário internacional, foram analisadas duas cidades de Moçambique, na África. Neste caso, o estudo levou em conta como os diferentes modos de vida de moradores da cidade urbanizada Milange e da comunidade rural Tenga afetam as características do sono.

Participaram da pesquisa 74 moradores, 37 de cada local, que foram entrevistados por um aluno da University of Surrey, da Inglaterra – ele foi até Moçambique coletar os dados para a pesquisa.

"Comparando um local mais urbanizado com um ambiente rural, o estudo apontou que o sono varia de acordo com o acesso à energia elétrica e também com o local de dormir, incluindo os tipos de cama, por exemplo", destaca o professor da USP.

Os moradores de Milange, local urbanizado, deitam-se mais tarde do que os habitantes de Tenga, da zona rural, devido ao fácil acesso à energia elétrica. Além disso, eles também acordam um pouco mais tarde do que as pessoas de Tenga e possuem uma melhor qualidade de sono por terem camas e quartos mais confortáveis do que no local rural. Já Tenga acorda e dorme mais cedo, possui pior qualidade de sono e fica pouco exposta à luz após o anoitecer. Apesar de apresentar características diferentes de sono, ambas as localidades têm a mesma duração, ou seja, os moradores de Milange e Tenga dormem pela mesma quantidade de horas.

De acordo com Pedrazzoli, pode-se dizer que "esses estudos trazem uma nova perspectiva de se entender o sono como uma resposta fisiológica do organismo às condições ambientais e, portanto, bem flexível do ponto de vista fisiológico e não mais como uma espécie de essência humana inflexível".

(com Jornal da USP)

Últimas notícias

Comentários