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Estado de Minas MEIO-AMBIENTE

Regeneração do cerrado atrai espécies raras de mamíferos

Estudo feito no parque estadual Veredas do Peruaçu mostra que local se tornou um habitat de animais como queixada e cachorro-do-mato-vinagre


postado em 18/07/2017 08:55

No último mês de junho, a revista Biotrópicos trouxe uma pesquisa que mostra a importância das áreas regeneradas de cerrado do parque estadual Veredas do Peruaçu, na região norte de Minas Gerais, para a preservação dos mamíferos. O estudo é fruto de uma parceria entre o Instituto Estadual de Florestas (IEF) e o Instituto Biotrópicos e teve como objetivo avaliar a importância de áreas regeneradas de cerrado para a conservação de mamíferos de grande porte.

O estudo realizado na unidade de conservação, que fica no município de Cônego Marinho, contou com a instalação de câmeras automáticas para o registro de animais em dois ambientes diferentes: na vegetação de cerrado regenerada após desmatamento e na vegetação de cerrado maduro, que não sofreu impactos significativos nas últimas quatro décadas. Durante a realização da pesquisa foram registradas 18 espécies de mamíferos de grande porte, incluindo espécies raras como a queixada e o cachorro-do-mato-vinagre.

Para o biólogo Guilherme Braga Ferreira, pesquisador do Instituto Biotrópicos, ONG conservacionista de Minas Gerais, "a escolha dessa área de conservação foi ideal para testar hipóteses sobre regeneração de cerrado e vegetação secundária, onde, quase um terço das áreas onde a vegetação de cerrado está situada era plantio de eucalipto, entretanto, a regeneração ocorreu naturalmente, após o abandono da área e a criação do parque estadual Veredas do Peruaçu".

Na pesquisa do Instituto Biotrópicos foram flagrados vários mamíferos de grande porte no parque, como o puma(foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)
Na pesquisa do Instituto Biotrópicos foram flagrados vários mamíferos de grande porte no parque, como o puma (foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)

Ainda segundo o pesquisador, "apesar de estar bem estabelecido que áreas regeneradas de florestas desempenham um importante papel na conservação da biodiversidade, até então, não existiam estudos avaliando a importância de áreas regeneradas de cerrado para fauna de mamíferos".

Guilherme Braga avalia que o cerrado tem grande poder de regeneração e, com isso, as "áreas regeneradas vão representar uma parte importante do bioma no futuro. Isso significa que é importante saber qual o papel que estas áreas podem desempenhar na conservação de espécies animais". Ele ressalta que os resultados da pesquisa feita no parque Veredas do Peruaçu indicam que áreas de cerrado que foram desmatadas e posteriormente se regeneraram, podem sim abrigar espécies ameaçadas de extinção. "Isso foi observado no Veredas do Peruaçu. Observamos também que animais ameaçados de extinção em nível mundial como o tamanduá-bandeira e o gato-do-mato-pequeno, utilizam estas áreas, que foram completamente desmatadas no passado e regeneradas depois", completa o biólogo.
A cotia também pode ser encontrada nas áreas regeneradas de cerrado do parque estadual Veredas do Peruaçu(foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)
A cotia também pode ser encontrada nas áreas regeneradas de cerrado do parque estadual Veredas do Peruaçu (foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)

O estudo tem implicações para as extensas áreas de cerrado no norte de Minas, que foram desmatadas para o plantio de eucalipto no passado e hoje, encontram-se em estágio inicial de regeneração. "Isso não quer dizer que todo cerrado que já foi desmatado poderá abrigar espécies raras no futuro. Iniciativas como a proteção da vegetação que está se recuperando, o controle de queimadas e a existência de animais silvestres nas proximidades são necessários para que a área em regeneração se transforme em habitat favorável à biodiversidade", esclarece Guilherme.

O parque

O parque estadual Veredas do Peruaçu foi criado pelo Decreto nº 36.070, de 27 de setembro de 1994, e possui uma área de 30.702 hectares. A unidade de conservação abriga um complexo de veredas e lagoas, formando um ambiente de textura argilosa. Destaca-se a vereda do Peruaçu, que dá origem ao nome do parque – e significa gruta grande –, com seus 37 km de comprimento, com palmeiras e buritis de até 20 m de altura.
Lobo-guará: uma das espécies ameaçadas de extinção que frequentam a área de conservação no norte de Minas(foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)
Lobo-guará: uma das espécies ameaçadas de extinção que frequentam a área de conservação no norte de Minas (foto: Agência Minas/Guilherme Braga Ferreira/Divulgação)

Outras veredas de menor extensão também são encontradas no parque como a Comprida, dos Lopes, da Lagoa Azul, da Passagem, da Cruz entre outras. A unidade de conservação abriga, ainda, seis lagoas: Jatobá, dos Patos, do Meio, Junco, Carrasco e do Jacaré.

Nessa área de cerrado existem mais de 250 espécies de pássaros catalogadas, entre elas a maritaca, o quem-quem e aves endêmicas do entorno, como o sebinho de fronte vermelha, a maria-preta e o arapaçu do rio São Francisco.

(com Agência Minas)

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