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Estado de Minas SAúDE

Conheça a dieta cetogênica, que vem sendo usada para tratar a epilepsia

A restrição no consumo de carboidrato favorece a redução das crises


postado em 28/08/2017 14:45 / atualizado em 28/08/2017 15:15

As dietas restritivas não costumam ser bem vistas, especialmente por profissionais de nutrição. Uma delas, chamada de dieta cetogênica, tem como proposta reduzir bruscamente a quantidade de carboidratos e aumentar consideravelmente o conteúdo de gorduras, mantendo a ingestão adequada de proteínas. Comumente associada à perda de peso, ela passou a ser recomendada para pessoas que sofrem com a epilepsia, como forma de tratamento e controle das crises – após avaliação do quadro do paciente e acompanhamento médico adequado.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 30% dos casos de epilepsia não são controlados por medicamentos. Sendo assim, a dieta cetogênica acaba sendo uma das alternativas. Porém, é necessário ter cautela ao iniciar qualquer restrição alimentar.

Por ser rica em gorduras, equilibrada em proteínas e com menor quantidade de carboidratos, a dieta cetogênica favorece a queima da gordura. "A dieta irá induzir o aumento da produção dos corpos cetônicos, que ocorre por conta dessa queima de gordura pelo fígado, estimulando a cetose constante, que é justamente o que se procura no tratamento das crises [de epilepsia]", esclarece a neurologista Letícia Sampaio.

A médica lembra que essa dieta é um forma de tratamento e, para ser executada, é preciso uma análise meticulosa do paciente, até porque existem efeitos adversos, como hipoglicemia, acidose, aumento do colesterol e refluxo. Neste caso, exige um apoio multidisciplinar, envolvendo especialistas de diferentes áreas, como neurologista e nutricionista.

Tratamento

A dieta cetogênica é recomendada para crianças, adolescentes e adultos com epilepsia de difícil controle depois de não responderem como esperado à primeira linha de tratamento feita com, no mínimo, dois remédios. "Ela pode ser iniciada de duas formas: ambulatorial, que não envolve grande estrutura; e, normalmente, nos 'ceto-centros', que são os lugares mais adequados para esse tipo de atendimento. Também é possível quando há casos de internação hospitalar, principalmente para crianças no primeiro ano de vida. A dieta é introduzida gradualmente, sendo a cada semana aumentada a quantidade de gordura na dieta. Não é necessária a realização de jejum para a introdução da dieta, mas o protocolo depende de cada serviço", explica Letícia Sampaio.

A especialista conta que a dieta restritiva é constituída de quatro refeições ao dia: café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. Conforme a continuidade do tratamento, a quantidade de gordura inserida será aumentada. Todas as refeições devem ser seguidas à risca. Sendo assim, é importante que a alimentação tenha  orientação profissional. "Um ponto significativo de se lembrar é que a dieta cetogênica não oferece as vitaminas e minerais necessários para um funcionamento considerado saudável do organismo. Assim, é muito importante que seja sempre realizada a suplementação com polivitamínicos e minerais", completa a neurologista.

Ainda segundo a médica, "o procedimento envolve comprometimento e paciência. Cada paciente responde de forma distinta ao tratamento, podendo apresentar resultado em semanas até meses. Outra pergunta comum é sobre o tempo mínimo de duração. Recomenda-se três meses para avaliação do quadro e optar por continuidade ou não". Normalmente, a dieta não é seguida pela vida toda, sendo mantida por uma média de dois a três anos na rotina alimentar do paciente.

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