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Estado de Minas SAúDE

Pesquisador alerta que o zika vírus pode estar se modificando

Segundo o professor da USP, o causador da zika pode sofrer mutação e gerar micro-organismos mais resistentes


postado em 21/09/2017 09:50 / atualizado em 21/09/2017 09:56

O zika vírus está se modificando tão rapidamente em pacientes brasileiros que há risco de surgir, num futuro breve, sorotipos diferentes do micro-organismo, como já acontece no caso da dengue. Tal fato poderia dificultar a obtenção de uma vacina, bem como comprometer a eficácia dos testes para diagnóstico já desenvolvidos.

O alerta foi feito pelo professor Edison Luiz Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). "Hoje, existe apenas um único zika e, uma vez infectada, a pessoa se torna imune. Mas, o vírus está em franca mutação e não seria surpresa se em breve surgirem o zika 2, 3, 4...", comenta o especialista em entrevista à agência de notícias da Fapesp.

A afirmação do professor está baseada na análise de dados de três pacientes assintomáticos – dois homens e uma mulher – que foram acompanhados de perto durante meses pela equipe da USP. Semanalmente, os pesquisadores colhiam amostras de sangue, saliva, urina e, no caso dos homens, esperma.

O material era enviado para os Estados Unidos onde, por meio de uma parceria com o exército americano, o genoma completo do patógeno era sequenciado. O estudo foi feito no âmbito da Rede de Pesquisa sobre Zika Vírus (Rede Zika), em São Paulo. "Semana a semana, nós comparávamos o que havia de diferente no genoma viral. Chegamos a ver no mesmo paciente cepas compartimentadas, ou seja, o vírus presente no sêmen era diferente do que havia na urina. Em todos os casos, o patógeno que encontramos no estágio final da infecção não era o mesmo que entrou no paciente", esclarece Edison Durigon.

Segundo o pesquisador, os pacientes do sexo masculino permaneceram eliminando o zika em grandes quantidades pelo esperma por até seis meses. Um deles apresentou o vírus na saliva durante três meses. "O zika continuou se replicando nas células do testículo durante todo esse tempo e, por microscopia eletrônica, pudemos perceber que os espermatozoides já se formavam infectados. Há risco, portanto, de ocorrer uma concepção com esperma contaminado. Se a gravidez vai para frente nesses casos e quais as consequências para o feto é algo que não temos ideia", afirma o professor da USP.

A possibilidade de transmissão sexual, segundo o pesquisador, amplia fortemente a capacidade do vírus de se disseminar. Na avaliação de Durigon, é preciso urgentemente mudar a cultura médica, que ainda centra os cuidados pré-natais nas mulheres. "Não adianta testar apenas as gestantes para a presença do vírus, recomendar apenas às mulheres que usem repelente e evitem áreas de risco durante a gestação e deixar os homens à vontade, seguindo a vida normalmente. Elas podem ser contaminadas pelos próprios parceiros e isso é algo que os médicos ainda não estão atentos", alerta o especialista.

(com Agência Fapesp)

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