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Estado de Minas BEM-ESTAR

A sensação de dor é diferente nas mulheres e nos homens?

Especialista revela que há diferença entre a dor sentida pela mulher e a sentida pelo homem


postado em 31/10/2017 10:12 / atualizado em 31/10/2017 10:31

O senso comum, antigamente, costumava representar o homem como o "sexo forte", avesso às dores e "incapaz de chorar". Porém, sabemos que essas "diferenças" não passavam de sexismo infundado. Ainda assim, em tormos biológicos, existe uma distinção entre a sensação de dor no homem e na mulher.

"As dores são sentidas de maneira diferente entre os sexos. Experimentos revelaram que as mulheres têm maior capacidade de distinguir as regiões com dor, menor limiar de percepção dolorosa e menor tolerância aos estímulos da dor induzidos do que os homens. Estudos com ressonância magnética funcional demonstraram diferenças no processamento cerebral da dor. Além disso, é fato que as mulheres sejam mais comumente afetadas por dores crônicas", explica o neurologista Rogério Adas Ayres de Oliveira, da Academia Brasileira de Neurologia.

Entre as principais causas possíveis para a predisposição feminina para a ocorrência de dor estão, segundo o médico, os ritmos hormonais sexuais cíclicos e grandes variações nas concentrações dos principais hormônios (estrogênio, progesterona e testosterona). Mas, ele ressalta que a dor é uma experiência subjetiva e individual que recebe a influência de uma ampla gama de fatores – biológicos, psicocomportamentais, cognitivos e socioculturais – que são interpretados pelo cérebro.

"Por isso, a percepção da dor varia muito de pessoa para pessoa. Um determinado estímulo pode ser percebido como mais ou menos doloroso por fatores que vão desde a espessura da pele, limiares das fibras nervosas, atividade inflamatória, fatores hormonais, até atenção, padrões de pensamento e flutuações do humor, ansiedade, medo e humor depressivo, bem como contextos e expectativas sociais, experiências passadas, entre outros", comenta o especialista.

Mais propensas às dores crônicas, "as mulheres sofrem com as enxaquecas e as cefaleias causadas por tensão, as dores temporo-mandibulares, a fibromialgia [problema nos tecidos fibroso e muscular], dores crônicas da coluna cervical e lombar, as dores pélvicas, entre outras, enquanto os homens são mais vulneráveis às cefaleias em salvas [atinge só um lado da cabeça], neuralgias pós-herpéticas [lesões na pele após o herpes zoster], entre outras", esclarece Rogério Adas. Apesar das diferenças na percepção da dor, os tratamentos são similares para ambos os sexos.

"Foram descritos, contudo, diferenças quanto ao perfil de utilização e eficácia de analgésicos entre homens e mulheres. Condições dolorosas cíclicas como as enxaquecas peri-menstruais [antes da menstruação], as dismenorreias [menstruações mais difíceis], entre outras condições podem demandar abordagens específicas", garante o neurologista.

O médico afirma ainda que é muito difícil diferenciar o papel de cada fator na experiência dolorosa. "Aspectos genéticos, ambientais, socioculturais são relevantes em proporções variadas em cada indivíduo ou população", completa. E além das diferenças na percepção de dor entre os sexos, há as variações entre faixas etárias, etnias e culturas.

"Isso demonstra que a combinação de fatores ambientais associada a diferenças genéticas individuais vai determinar as diferentes suscetibilidades para a ocorrência de dor crônica no decorrer da vida e grande variabilidade na expressão da experiência dolorosa", afirma o especialista.

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