Estudo mostra que pais atrapalham a nutrição dos filhos

Crianças obesas estão ligadas a familiares com problemas de alimentação

por Encontro Digital 05/10/2017 14:46

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Pais que se alimentam de forma errada são péssimas influências para os filhos, que acabam comendo errado também, segundo estudo da USP (foto: Pixabay)
"Faça o que eu digo, não faça o que eu faço". Este famoso ditado popular foi colocado em prova por um estudo sobre hábitos alimentares e estado nutricional de crianças e familiares. Apesar da preocupação com a alimentação das crianças, a maioria dos responsáveis participantes da pesquisa também apresentava dieta inadequada ou precisando de modificação.

Ao analisar rotinas, atitudes, crenças e algumas doenças ligadas à obesidade, especialistas do departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto, da USP, observaram que a influência de pais ou responsáveis sobre o comportamento alimentar dos filhos é maior que imaginam. E não apenas pelo que dizem às crianças, mas, principalmente, pelo que eles próprios consomem.

A nutricionista Gabriela Pap da Silva avaliou 164 crianças de seis a 10 anos e seus familiares ou principais responsáveis pela nutrição. Dentre os resultados, verificou que "a maior parte das crianças que apresentaram excesso de peso (56%) possuía responsável também com excesso de peso".

Mais da metade das crianças (51,8%) tinha dieta "inadequada" e outros 47%, dieta com "necessidade de modificação". Seus responsáveis também tinham valores altos de dieta "inadequada" (30,5%) e de "necessidade de modificação" da dieta (67,1%).

Gabriela justifica a importância dessas informações para tomada de atitudes familiares diante do que é considerada uma epidemia mundial: a obesidade infantil. Trata-se de "uma doença de causas multifatoriais, com destaque para hábitos de vida e alimentares", que podem sofrer influência de seus cuidadores.

Entre 1989 e 2009, o Brasil registrou aumento de 300% no número de crianças de cinco a nove anos de idade que estavam acima do peso; e ainda "grande prevalência de dislipidemia" entre elas, revela a pesquisadora da USP. Entre os analisados, algumas doenças alcançaram números expressivos entre os familiares próximos das crianças: 46,3% de diabetes mellitus; 62,8% de hipertensão arterial; e 31,1% de dislipidemias.

A Organização Mundial da Saúde estima que a população infantil obesa deva chegar a 75 milhões até 2025. Como problema de saúde pública, a preocupação se deve ao risco alto dessas crianças desenvolverem problemas de adultos como diabete, hipertensão e doenças cardiovasculares.

(com Jornal da USP)

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