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Estado de Minas DICAS

O que pode ser feito para ajudar uma vítima de acidente de trânsito?

Especialista mostra quais cuidados precisam ser tomados e o que deve ser evitado


postado em 31/10/2017 09:10 / atualizado em 31/10/2017 09:23

Pior que muitas doenças: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os acidentes de trânsito são a nona maior causa de mortes no planeta. O Brasil aparece em quinto lugar entre os países recordistas em óbitos decorrentes de colisões, que atingem até 60 mil pessoas todos os anos, além de deixar outras 630 mil inválidas. Mas, caso a pessoa testemunhe um acidente, o que deve fazer? Segundo o médico Cesar Villela, coordenador da Emergência do hospital Samaritano Botafogo, no Rio de Janeiro, tomando algumas precauções simples, é possível ajudar as vítimas e protegê-las de situações que possam representar risco de piora no quadro clínico.

De acordo com o especialista, a primeira medida a ser tomada é acionar um resgate especializado (Corpo de Bombeiros ou o Samu) o mais rápido possível. Outra questão importante é tomar precauções para não se tornar uma nova vítima ou comprometer a segurança de outras pessoas. "Verifique se o local onde ocorreu o acidente é seguro para transitar, pois é possível que, na tentativa de prestar o socorro, ocorram atropelamentos, principalmente em rodovias e estradas de alta velocidade. Se possível, utilize um triângulo de sinalização [equipamento obrigatório nos automóveis], a fim de deixar claro aos demais motoristas que há carros parados na pista e evitar um novo acidente. Tais situações costumam atrair grande número de curiosos, então, estabelecer uma zona de proteção ao redor da vítima é o ideal", comenta Cesar Villela.

O médico esclarece ainda que, enquanto a testemunha aguarda o resgate, mexer na vítima é sempre uma questão delicada, pois pode agravar alguma lesão que, muitas vezes, não está aparente – como, por exemplo, as da coluna cervical ou da bacia. Mas, às vezes, torna-se prioritário movê-la do local do acidente para protegê-la de uma situação de risco, como a exposição ao fogo. "Toda vez em que não houver opção e a vítima tiver que ser removida, não se deve puxá-la ou arrastá-la, principalmente pela cabeça, pelo pescoço, por membros com deformidade ou por locais do corpo em que ela, quando consciente, indica que sente dor mais intensa. O ideal é que duas ou mais pessoas façam um movimento único e em bloco, garantindo que a cabeça e o pescoço estejam estabilizados. No caso de vítimas inconscientes, isso é fundamental. Além de proceder com muita cautela e paciência, é muito importante que a pessoa que se propõe a ajudar não tente realizar algum procedimento para o qual não tem treinamento ou conhecimento básico", observa Villela.

Caso o acidentado diga que está com sede, o médico orienta que oferecer qualquer líquido por via oral, incluindo água, poderá causar problemas. "Isso pode provocar vômitos e, caso a vítima tenha queda nos níveis de consciência, há o risco de esse conteúdo seguir para o pulmão. Outra razão é que, caso haja necessidade de uma futura cirurgia, estar com o estômago mais vazio é fundamental. Explique isso para a vítima claramente, indicando que a negativa é para o bem dela. Caso seja possível, molhe os lábios da pessoa para proporcionar a ela uma sensação momentânea de alívio enquanto o socorro não chega", diz o especialista.

Aproveitar a espera pelo resgate para checar algumas informações com a vítima também pode ser útil. "Pergunte a ela se toma algum remédio, se tem alguma doença ou alergia e qual foi o horário da sua última refeição. Tais informações devem ser passadas à equipe de socorro", explica. O médico reforça que é necessário manter a calma e transmitir isso à vítima. "Ficar ao lado dela, demonstrar solidariedade, confiança e garantir a sua segurança são importantes. Devem-se falar palavras de apoio e jamais assustar a vítima com comentários inapropriados. Segurar a mão da pessoa e reforçar que estará ao lado dela até o resgate chegar é um gesto simples, mas muito positivo", completa.

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