Brasil já conta com mais cachorros do que crianças nas casas

Grande número de animais de estimação acende alerta para prevenção de problemas como abandono e leishmaniose

por Encontro Digital 28/11/2017 13:41

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Segundo uma especialista, no Brasil existem 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos domesticados. Número serve de alerta para que tutores tenham cuidados com os pets, evitando o abandono e doenças (foto: Pixabay)
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2015, em nosso país, 44,3% dos domicílios das áreas urbanas e 65% das áreas rurais contam com pelo menos um cão, em contraste com o número de crianças, que, nas cidades, não passa de 38,1%. Ou seja, de modo geral, há mais cães de estimação do que crianças nos lares brasileiros.

A informação foi apresentada na segunda-feira, dia 27 de novembro, durante uma audiência pública na Comissão Extraordinária de Proteção dos Animais da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Segundo a médica veterinária Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, os brasileiros convivem, atualmente, com 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos, que são "animais com alto potencial biológico e reprodutivo". Mas, o número de bichos de estimação no país pode ser ainda maior, porque a pesquisa do IBGE não contempla os animais abandonados.

Os participantes da audiência na ALMG também denunciaram os maus-tratos aos animais e condenaram a matança como prática de controle, defendendo a necessidade de redução da população de cães e gatos por meio de práticas humanitárias e mais econômicas.

Conforme Vânia Nunes, a falta de políticas públicas eficazes afeta não só os animais, mas também os humanos, comprometendo a vida em sociedade. Entre outros males, ela cita os acidentes de trânsito; a reprodução descontrolada; o abandono de animais mortos em locais públicos; além do risco de zoonoses (doenças comuns entre pessoas e animais); problemas com lixo; e sofrimento animal e humano.

Outra consequência, abordada pela também veterinária Flávia Quadros, diz respeito aos profissionais que lidam diretamente com animais. Segundo ela, muitos trabalhadores que exercem funções envolvendo matança de animais adoecem com problemas psicológicos e, com frequência, recorrem ao abuso de álcool e drogas.

A veterinária denuncia também que 60% dos animais mortos são jogados ou enterrados em terrenos baldios e 7% são colocados em sacos de lixo ou caçambas, contribuindo para a formação do necrochorume, um grave problema de saúde pública e ambiental.

Soluções

As palestrantes indicaram algumas soluções que consideram importantes no controle populacional de animais e na prevenção de zoonoses, em substituição à matança adotada pela maioria dos municípios brasileiros. Entre as opções, Vânia Nunes cita a esterilização cirúrgica e a alta cobertura vacinal.

Flávia Quadros, por sua vez, observa que, ao contrário do que temem muitos gestores, a matança não é a forma mais econômica porque não contabiliza gastos com captura, transporte, manutenção, sacrifício, acidentes, zoonoses e problemas com a saúde do trabalhador.

Leishmaniose e esporotricose

O professor André Luís Soares da Fonseca, do departamento de Imunologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, explica que a quantidade de casos de leishmaniose vem aumentando devido à falta de predadores naturais do mosquito transmissor da doença, como lagartixas e sapos. Ele lembra que o Brasil é responsável por 1% dos casos de leishmaniose visceral do mundo. O especialista condena, ainda, a prática da eutanásia em cães contaminados.

"Essa orientação do Ministério da Saúde é errada porque o problema é o mosquito, não o cachorro", afirma André Fonseca. De acordo com ele, como a leishmaniose é uma doença sexualmente transmissível, a castração de animais é fundamental.

A ativista Carla Sássi, responsável pelo projeto Quem Ama Castra, de Conselheiro Lafaiete, cidade da região central de Minas Gerais, cita outro problema que preocupa nas grandes cidades: a esporotricose, uma dermatite causada por fungo, encontrada especialmente em gatos, que pode ser transmitida para os humanos. "O problema não são os gatos, mas sim, a falta de higiene, que propicia que o fungo cresça", diz Sássi.

Ela esclarece que a doença é grave e demanda um tratamento demorado, mas que as pessoas jamais devem abandonar os felinos. "O animal deve ser tratado, ficar sem acesso à rua e, mesmo se morrer, o cadáver precisa ser cuidado de maneira específica. O mais recomendado é um mapeamento dos casos no município e a castração em massa de felinos nos bairros acometidos", completa a ativista.

(com portal da ALMG)

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