Investimento de risco: grupo Caoa adquire a Chery do Brasil

O paraibano Carlos Alberto de Oliveira Andrade teria feito um bom negócio?

por Fábio Doyle 13/11/2017 10:20

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CAOA/Divulgação
A fábrica da Chery em Jacareí (SP) possui capacidade instalada para produção de 150 mil veículos por ano (foto: CAOA/Divulgação)
A recém anunciada aquisição de 50% das operações da montadora chinesa Chery pelo grupo Caoa faz pensar se a iniciativa representa uma alavancagem, um fortalecimento, nas operações da Chery no Brasil ou se, ao contrário, sinaliza um recolhimento, uma retração, do investimento e do interesse do grupo chinês no mercado brasileiro. Os volumes de vendas desde a inauguração da fábrica em Jacareí (SP), no final de agosto de 2014, é um retrato da decepção.

Essa questão nos vem à mente ao depararmos com a grande capacidade ociosa da unidade industrial da Chery em Jacareí e ao repassarmos o histórico do grupo comandado com muita ousadia e agressividade por Carlos Alberto de Oliveira Andrade, o Caoa.

O médico empresário tem, hoje, sob seu comando e gestão, uma parte significativa do mercado de automóveis no Brasil. Além de ampla rede de revendedores Ford, marca com a qual colocou o pé no segmento de veículos, o grupo é o representante e importador no país das marcas Subaru e Hyundai. Lembrando que a operação da Hyundai no Brasil é dividida: a fábrica de automóveis da marca coreana em São Paulo é uma operação controlada pela própria montadora, por meio da Hyundai Motor Corporation (HMC); e a Hyundai Caoa gerencia a importação dos modelos da marca e a produção da unidade de Anápolis, em Goiás. A rede de distribuição é parte da HMC e parte da Caoa, operando por meio de um 'complexo acordo' que define quem vende 'o quê e como'.

Não se pode deixar de mencionar a polêmica e nervosa parceria que o grupo Caoa manteve com a Renault nos primórdios da última abertura do mercado aos automóveis importados. Após fase de teste, apenas com carros importados, quando decidiu fabricar no Brasil, a Renault optou por desfazer a sociedade com o empreendor brasileiro, mas pagou caro por isso.

Com a Chery, mais uma marca que passa a fazer parte do portfólio Caoa, é um novo capítulo que se inicia na história da indústria automobilística no Brasil. Após o anúncio, feito na China pela própria montadora, da divisão meio a meio de suas operações no Brasil, o grupo paraibano 'usa o microfone' para comunicar que ainda não fala em modelos e que não tem data para colocá-los nas ruas brasileiras. Avisa apenas que eles chegam ao longo de 2018.

Voltando aos números, a capacidade da fábrica de Jacareí (SP) chega a 150 mil veículos/ano (em três turnos). Hoje, ela opera em um turno e, mesmo assim, há capacidade ociosa. Para se ter ideia da lacuna existente, em 2014, o volume de carros com a marca Chery emplacados no Brasil foi de 9.547 unidades (a marca ficou com o 17º lugar do 'ranking'). No ano seguinte, esse volume caiu para 5.328 unidades, colocando a marca em 19º lugar. Em 2016, os registros de emplacamentos mostram apenas 1.362 unidades vendidas, o que excluiu a marca das 20 primeiras colocações no ano passado. Neste ano, até outubro, os dados da Fenabrave mostram um total de 3.076 unidades emplacadas. Na época da inauguração, a projeção para 2014 era de 15 mil unidades. Na ocasião, Roger Peng, presidente da Chery Brasil, disse sobre a crise: "Isso não é o fim do mundo, será passageira".

Em comunicado à imprensa, a Caoa anunciou um investimento que deve chegar a US$ 2 bilhões nos próximos cinco anos.

Dados econômicos da Chery no Brasil*:

  • Investimento: U$ 530 milhões (fábricas de automóveis e motores)

  • Novos investimentos: R$ 50 milhões para centro de P&D

  • Área construída: 400 mil m², em um terreno de um milhão de m²

  • Empregos: três mil

  • Capacidade de produção: 150 mil

  • Modelos para produção inicial: Celer e QQ

  • Vendas Chery em 2013: oito mil unidades

  • Projeção para 2014: 15 mil unidades

  • Nº de revendas: 67 concessionárias

  • Modelos comercializados no Brasil: Tiggo, QQ, Celer e Face

*Dados apresentados em agosto de 2014, na inauguração da unidade industrial

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