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Estado de Minas ECONOMIA

Nos últimos 10 anos, inflação pesou mais no bolso das famílias de baixa renda, diz Ipea

Para os mais pobres, de 2006 a 2017 a inflação acumulada foi de 102%, enquanto para os ricos, foi de 86%


postado em 17/11/2017 09:02 / atualizado em 17/11/2017 09:25

No período compreendido entre julho de 2006 e setembro de 2017, a inflação acabou pesando mais para a população de baixa renda. Dados analisados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgados na quinta, dia 16 de novembro, indicam que, no período, enquanto a inflação ficou em 102% para quem tem renda mais baixa, ela foi de 86% para a população mais rica.

Para Maria Andréia Parente Lameira, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, nesse período, houve uma influência grande dos alimentos. "Nesse tempo de 10, 11 anos, mesmo tendo uma queda recente [no preço] de alimentos, a gente teve pelo menos dois choques fortes de alimentos, que jogaram a inflação lá para cima, e isso, de fato, pesou muito mais nas famílias de renda mais baixa", comenta a especialista.

Mas, no processo de deflação (inflação negativa) recente, a análise aponta que, apesar de generalizada, as famílias de menor poder aquisitivo foram beneficiadas de forma mais intensa. Em outubro, a inflação acumulada em 12 meses dessas famílias teve alta de 2%, enquanto que, para o segmento da população mais rica, ficou em 3,5%.

O percentual das famílias de renda mais baixa também foi influenciado pelos alimentos, mas desta vez, pelo recuo dos preços. Nessa faixa, o peso na cesta de consumo é de 29%, bem maior do que o que incide na faixa mais alta, que é de 10%. Para o segmento econômico mais alto, o peso maior ocorreu em outros segmentos que apresentam variações mais altas e maior rigidez à baixa, como mensalidades escolares e planos de saúde, que impedem uma queda mais acentuada na inflação do grupo.

Segundo Maria Lameira, nos planos de saúde e em serviços médicos, os mais pobres gastam aproximadamente 1,5%, já para os mais ricos, a despesa sobe para quase 7%. Em educação, a diferença é ainda maior. Enquanto os mais pobres gastam 2%, os mais ricos, 10%. “Isso quer dizer que, quando tem uma alta muito elevada em mensalidade escolar, isso vai bater muito forte na inflação dos mais ricos, mas, em compensação, praticamente não vai influenciar a dos mais pobres”, explicou.

Ainda de acordo com a economista, quando ocorre um choque na oferta dos alimentos, o que faz com que os preços subam, o impacto nas famílias mais pobres é muito maior do que as mais ricas. "Essa diferença na composição dos gastos das famílias é que vai ditar o porquê de a inflação ser diferente nessas classes", afirma a representante do Ipea.

(com Agência Brasil)

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