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Estado de Minas ARQUEOLOGIA

Cientistas refazem rosto de 'carioca' que viveu há dois mil anos

Pesquisadores do Museu Nacional reconstruíram a face a partir do crânio descoberto na década de 1980


postado em 23/03/2018 17:41 / atualizado em 23/03/2018 17:41

Na quinta, dia 22 de março, pesquisadores do setor de Antropologia Biológica do Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e da Faculdade de Medicina e Odontologia da São Leopoldo Mandic apresentaram a reconstrução digital do rosto de um homem que viveu na cidade do Rio de Janeiro há cerca de dois mil anos. Isso só foi possível graças ao trabalho realizado a partir do crânio descoberto por arqueólogos do próprio museu, na década de 1980, em escavações no sítio Sambaqui, na região de Guaratiba, zona oeste do Rio.

Além da reconstrução facial, os cientistas realizaram um estudo osteobiográfico, detalhando alguns aspectos sobre quem era e como viveu o morador ancestral da cidade. Neste caso, foram refeitas características como sexo, idade e estatura, assim como informações sobre doenças e possíveis atividades físicas.

O estudo anatômico do crânio permitiu que a equipe do museu estimasse as estruturas da face, como os músculos, olhos e nariz. "A técnica de aproximação facial consiste em basear-se nestas informações para que seja produzida uma imagem compatível com a aparência em vida do indivíduo. Incialmente foi feita a réplica virtual do crânio a partir de fotografias com câmera digital [...] As imagens foram processadas obtendo o crânio 3D usando programas de computador de acesso livre. Estruturas anatômicas foram modeladas virtualmente sobre o crânio digitalizado, e por fim, recobertas com uma camada de pele que se adapta sobre o conjunto, respeitando a interação entre as partes ósseas e moles", informa o Museu Nacional em texto publicado no Facebook.

Possivelmente, o "carioca" tinha 38 anos e media cerca de 1,5 m de altura. Ele corresponde aos povos americanos que teriam vivido em nosso território antes da chegada dos portugueses.

Apesar de muita gente achar que esse indivíduo teria alguma relação com a Luzia, que foi encontrada na região de Lagoa Santa, Minas Gerais, na década de 1970, isso não procede. Eles viveram em épocas totalmente diferentes. A antiga mineira teria vivido há 11 mil anos na região de sítios arqueológicos explorada pelo naturalista dinamarquês Peter Lund, enquanto o esqueleto do Rio viveu há dois mil anos.

Veja, abaixo, a reconstrução feita pelo Museu Nacional:



(com assessoria de imprensa da UFRJ)

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