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Estado de Minas MEIO-AMBIENTE

Humanidade já degradou 75% da superfície terrestre

Estudo sobre os impactos das atividades humanas alerta que em 2050 apenas 10% da Terra será intocada


postado em 29/03/2018 17:45 / atualizado em 29/03/2018 17:46

Segundo projeções feitas pela Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), que tem sede na Alemanha, apenas 25% da superfície terrestre permanece livre de impactos causados pelas atividades humanas. E esse índice deve cair para apenas 10% até o ano de 2050. "Apenas algumas regiões nos polos, desertos e as partes mais inacessíveis das florestas tropicais permanecem intactas", afirma o sul-africano Robert Scholes, um dos coordenadores do relatório divulgado pela IPBES na segunda, dia 26 de março.

O texto mostra que até o ano de 2014, mais de 1,5 bilhão de hectares de ecossistemas naturais foram convertidos em áreas agrícolas. Plantações e pastagens cobrem atualmente mais de um terço da superfície do planeta. "Os processos mais recentes de desmatamento estão ocorrendo nas regiões do globo mais ricas em biodiversidade", afirmaram os autores no texto.

De acordo com Robert Scholes, pode ser definido como degradação o processo que leva um ecossistema terrestre ou aquático a sofrer um declínio persistente das funções ecossistêmicas e da biodiversidade. "É quando uma determinada região tem sua capacidade de sustentar a vida, humana ou não, persistentemente reduzida", explica o ativista.

A expansão não sustentável de áreas dedicadas à agricultura e à pecuária é apontada no relatório como uma das principais causas do problema – que tende a se agravar com a demanda crescente por comida e biocombustíveis. Segundo os autores, o uso de pesticidas e fertilizantes deve dobrar até 2050. "Esses produtos químicos em excesso contaminam não apenas o solo como também os sistemas aquáticos, terminando por afetar a zona costeira. Já temos centenas de áreas mortas em regiões como o Golfo do México e isso ocorre por causa da forma que manejamos a terra. Portanto, esta é também uma questão de segurança hídrica e de preservação da costa", comenta Robert Watson, presidente da IPBES.

Outro fator importante que tem contribuído para a degradação de ecossistemas, de acordo com os cientistas da IPBES, é o estilo de vida de alto consumo dos países desenvolvidos – bem como o consumo crescente observado nos países em desenvolvimento. O combate a esse problema, afirmam, deve necessariamente incluir a adoção de uma dieta mais sustentável, com menos produtos de origem animal e maior preocupação com os métodos usados na produção dos alimentos e demais produtos consumidos. "Não estamos dizendo para as pessoas pararem de comer carne, mas para se preocuparem com o modo com que ela foi produzida. E, acima de tudo, acabar com o desperdício de comida. Hoje, entre 35% e 40% do que é produzido nos países desenvolvidos não é aproveitado", afirma Watson.

O relatório revela ainda que os processos de degradação da terra já comprometem o bem-estar de dois quintos da humanidade – ou 3,2 bilhões de pessoas. Isso tem sido uma das principais causas de migração humana, o que, por sua vez, está relacionado com a intensificação de conflitos entre os povos e empobrecimento de populações, na avaliação do presidente da IPBES. "A degradação da superfície terrestre está nos conduzindo para a sexta extinção em massa de espécies", alerta Robert Scholes.

Conforme o documento, os processos de degradação contribuem fortemente para a mudança climática, tanto pelas emissões de gases-estufa resultantes do desmatamento como pela liberação do carbono anteriormente armazenado no solo. Foram liberados 4,4 bilhões de toneladas de CO² somente entre os anos 2000 e 2009, segundo a IPBES. "Dada a importância da função de sequestro e armazenamento de carbono pelo solo, reduzir e reverter os processos de degradação da terra podem oferecer mais de um terço das atividades de mitigação da emissão de gases estufa necessárias até 2030 para manter a elevação da temperatura média da Terra abaixo de 2º C, como propõe o Acordo de Paris, além de aumentar a segurança alimentar, hídrica e reduzir conflitos relacionados à migração", informam os cientistas.

(com Agência Fapesp)

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