Comissão da ALMG vai discutir ausência de cobradores nos ônibus

Usuários estariam reclamando do risco causado pelo acúmulo de função dos motoristas

por Encontro Digital 24/04/2018 09:49

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Scania Ônibus/Divulgação
(foto: Scania Ônibus/Divulgação)
De uns meses para cá, a população de Belo Horizonte que utiliza o transporte coletivo começou a perceber que muitos ônibus passaram a circular sem a presença do cobrador. Com isso, o motorista assumiu também a responsabilidade de receber as passagens e dar o troco para o usuário, quando necessário. "Há relatos de que os motoristas passaram a desempenhar múltiplas funções, como conduzir o coletivo, cobrar, receber, dar trocos, liberar catraca e ainda operar elevador de cadeirantes. Precisamos debater até que ponto isso é prejudicial", comenta o deputado Doutor Jean Freire (PT), presidente da Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que solicitou a realização de audiência pública para debater o tema.

O parlamentar destaca que a intenção da comissão é discutir a fundo as consequências da ausência de cobradores para motoristas e passageiros. Para isso, são aguardados na audiência representantes do poder público e ainda de trabalhadores, empresas de transporte e usuários do sistema.

Ainda segundo o deputado, o requerimento da reunião foi proposto a partir de demanda apresentada por integrantes do Movimento Volta Cobradores de Contagem, onde várias linhas já estariam circulando sem os agentes de bordo, a exemplo do que estaria ocorrendo gradativamente em Belo Horizonte durante períodos diurnos.

Polêmica

A retirada dos cobradores do transporte coletivo tem gerado controvérsias. No caso de Belo Horizonte, as linhas do sistema BRT Move e veículos especiais podem operar sem o cobrador em período integral, conforme a Lei Municipal 10.526, de 2012. Para as demais linhas, a ausência do cobrador seria restrita ao horário noturno, domingos e feriados.

Representantes dos trabalhadores e de usuários, contudo, falam em desrespeito à norma, o que já teria provocado centenas de demissões de cobradores na capital mineira, resultando em sobrecarga para motoristas e riscos para passageiros. Mencionam, ainda, que as viagens sem cobrador também durante o dia seriam uma forma de pressão das empresas sobre o poder público, para que seja autorizado um aumento nas passagens.

Já a Prefeitura de Belo Horizonte divulgou em março deste ano um comunicado relatando que teria sido acordado com as empresas que não haveria a extinção de postos de trabalho, mas sim a requalificação dos cobradores. "A Prefeitura de Belo Horizonte está atenta ao problema dos cobradores e esclarece que, em acordo com as empresas, não haverá as demissões alardeadas", aponta o texto da PBH.

Segundo a administração municipal, atualmente, cerca de 80% dos usuários do transporte coletivo da capital já utilizam o cartão BHBus para fazer as suas viagens.

(com portal da ALMG)

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