Conheça o rosto de um 'brasileiro' de dois mil anos

O antigo morador de Pernambuco era de uma tribo que se fixou no agreste do estado

por Encontro Digital 11/05/2018 13:54

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Unicap/Divulgação
Cientistas da Universidade Católica de Pernambuco reconstruíram o rosto de um homem que viveu no Agreste Pernambucano há dois mil anos (foto: Unicap/Divulgação)
Especialistas do Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) conseguiram reconstruir o rosto de um "brasileiro" de aproximadamente dois mil anos. Encontrado na década de 1980 no sítio Furna do Estrago, no distrito de Brejo da Madre de Deus, na região do Agreste Pernambucano, o crânio foi batizado de "Flautista". O nome foi escolhido porque, junto ao corpo, foi encontrada uma flauta feita do osso tíbia.

Estudos posteriores apontaram que o homem tinha aproximadamente 45 anos e pertencia a uma comunidade que não era nômade, ou seja, que se fixou por um longo período de tempo nessa região de Pernambuco. "Essa população já era um pouco mais diferenciada porque ela permanecia no mesmo local, não era mais tão nômade como seus antepassados. Então, permaneceu nesse local por um longo período de tempo", comenta Roberta Richard Pinto, professora da Unicap e coordenadora do Museu de Arqueologia, em entrevista para a agência russa de notícias Sputnik Brasil.

O processo de reconstrução do roso do "Flautista" demorou cerca de uma semana e meia para ser concluído. Primeiro foram tiradas diversas fotos de várias posições do crânio e, em seguida, os cientistas pernambucanos precisaram fazer o preenchimento da face. "O  crânio é só a parte da caixa craniana, mas, o nosso rosto é composto por tecidos moles, musculatura,  gordura etc. O designer Cícero Moraes trabalhou com as medidas que já existem de parâmetro de preenchimento de rosto. Essa técnica tem em torno de 80% de confiabilidade na reconstituição", explica Roberta.

A coordenadora do museu também contou que o homem tinha praticamente toda sua dentição, o que pode indicar que a comunidade à qual pertencia tinha um cuidado especial com os próprios corpos. "Para a ciência como um todo, a importância dessa descoberta é o reconhecimento de populações antecessoras à colonização, que pouco se sabe em registros. Ela vai ajudar a entender não só a região de Pernambuco, como também o Brasil, em termos de etnia, de desenvolvimento de etnia e troncos linguísticos. Esse trabalho vai ajudar bastante os arqueólogos, biólogos e historiadores a trabalharem", conclui a professora da Unicap.

O próximo passo agora, segundo Roberta Richard Pinto, é criar um modelo físico feito a partir dessa reconstituição e que ficará exposto no museu da universidade pernambucana.

(com Agência Brasil)

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