UFMG cria microscópio de escala nanométrica

O equipamento permite enxergar objetos mil vezes menores do que uma célula

por Geórgea Choucair 10/05/2018 08:05

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O nanoscópio criado na UFMG permite que cientistas possam analisar objetos mil vezes menores do que uma célula comum (foto: Pixabay)
Analisar com mais eficácia as propriedades e os componentes das moléculas, como a de DNA, vem sendo um desafio para cientistas do mundo inteiro. Eles estão debruçados em projetos que visam ampliar as imagens captadas de forma muito indireta pelo microscópio óptico tradicional. No Brasil, as pesquisas avançam e a novidade são as imagens captadas por um nanoscópio, equipamento capaz de "enxergar" em escala nanométrica, ou seja, um milhão de vezes menor do que o milímetro. O equipamento foi desenvolvido pelo Laboratório de Nano-Espectroscopia do departamento de Física da UFMG. "A partir do momento que vemos a imagem maior da molécula e conhecemos a estrutura, é possível desenvolver estudos mais aprofundados", afirma o cientista e professor Ado Jorio de Vasconcelos, um dos coordenadores do laboratório.

Um microscópio óptico normal não consegue fazer ampliações de objetos menores do que uma célula. Já com o nanoscópio desenvolvido pela UFMG, é possível ampliar coisas mil vezes menores do que a célula. O equipamento permite ainda obter informações sobre a topografia da estrutura (como se fosse uma análise da superfície). "É fundamental para os estudos sobre as moléculas. Caso contrário, é quase como tentar arrumar uma namorada sem poder olhar a cara dela", compara Ado Vasconcelos, que é um dos cientistas mais influentes do mundo na área de nanociência e nanotecnologia, com diversas premiações nacionais e internacionais. O equipamento criado por ele e direcionado ao desenvolvimento científico, foi replicado em dois centros de pesquisa no Brasil: no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e na Universidade Federal do Ceará (UFC).

Alzheimer

A equipe do laboratório mineiro avança também em outra pesquisa importante: trata-se de um teste oftalmológico simples para identificar o desenvolvimento do Mal de Alzheimer em estágio precoce, possibilitando, assim, atuar para retardar sua evolução e buscar uma cura.

Segundo Ado Vasconcelos, o objetivo é utilizar a espectroscopia óptica, uma técnica que usa a luz para obter uma impressão digital das moléculas, para identificar a presença de uma proteína chamada beta-amiloide no fundo do olho do paciente – está relacionada ao desenvolvimento da doença. O equipamento é intitulado espectrômetro intraocular e os testes estão sendo feitos em camundongos transgênicos, selecionados por desenvolverem a doença com apenas dois meses de vida.

A equipe da UFMG está obtendo bons resultados na identificação da proteína, mas ainda não é possível realizar o teste em humanos. "É preciso evoluir na parte de segurança, para evitar danos colaterais do tratamento", comenta o pesquisador. Outros países, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, também possuem estudos na mesma direção.

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