Diagnóstico do câncer de próstata pode estar na 'saliva'

Cientistas testam exame de DNA contra o tumor que mais atinge os homens

por João Paulo Martins 11/06/2018 17:47

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(foto: Pixabay)
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). A estimativa do Inca é que sejam registrados 68.220 novos casos da doença apenas em 2018 – ela causa, em média, mais de 13 mil mortes por ano. A boa notícia é que cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer de Londres, na Inglaterra, começaram a testar um simples exame de saliva que pode ser capaz de identificar os homens com maior risco de desenvolvimento do tumor na próstata. A informação foi divulgada pelo jornal inglês The Guardian.

O novo teste é baseado em mais de 150 marcadores de DNA que ajudam a identificar os 10% dos homens que possuem um risco quase três vezes maior de desenvolver a doença, se comparados com a população em geral; e o 1% do público masculino com risco seis vezes maior. O estudo foi publicado na revista científica Nature Genetics.

Os pesquisadores ingleses criaram o teste depois que um grande estudo sobre a genética do câncer de próstata encontrou 63 novas variantes de DNA ligadas à doença. O novo exame combina estes marcadores com outros 100 que já eram conhecidos em trabalhos anteriores.

"A razão pela qual estamos particularmente entusiasmados com o teste é que ele pode ser feito por meio de um simples cuspe, capaz de identificar quem está com maior risco de câncer de próstata. Com isso, possamos oferecer uma triagem direcionada", comenta a geneticista Rosalind Eeles, em entrevista para o periódico inglês.

Atualmente, homens com alto risco genético para desenvolvimento de câncer de próstata podem ser rastreados apenas com exames de ressonância magnética e por meio de biópsia.

Para descobrir os novos marcadores da doença no DNA, os cientistas do Instituto de Pesquisa do Câncer compararam o material genético de 80 mil pacientes com tumor na próstata e 61 mil voluntários saudáveis que serviram de controle. Muitas das novas variantes afetam como o sistema imunológico "conversa" com as demais células do corpo, sugerindo que falhas na defesa do organismo podem ser um fator determinante da doença. Outras variantes genéticas estavam envolvidas na reparação do DNA danificado.

Conforme o estudo, o histórico familiar representa apenas 28% do risco do surgimento do problema. O restante provavelmente é fruto de mutações incrivelmente raras, ou de dezenas de variantes genéticas com menor impacto no tumor. Mas, mesmo com tanta causa desconhecida, os cientistas ingleses estão dispostos a testar o novo teste para ver se ele é capaz de detectar quais homens são mais suscetíveis à doença.

Os testes atuais que ajudam no diagnóstico precoce do câncer de próstata incluem o exame de toque e o PSA, feito com análise do sangue para verificar a existência de antígenos específicos da próstata (Prostate-Specific Antigens).

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