Fiocruz cria exame inovador para detectar zika no Aedes aegypti

A nova técnica utiliza luz infravermelho para descoberta do vírus

por Encontro Digital 18/06/2018 10:57

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação
(foto: Marcos Santos/Jornal da USP/Divulgação)
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fiocruz, criaram uma tecnologia baseada em análises químicas por raios infravermelhos que é capaz de agilizar em até 18 vezes e de baratear em até 116 vezes o monitoramento da presença do zika víus em mosquitos Aedes aegypti. Essa é a nova aposta da Fiocruz para aperfeiçoar a vigilância da circulação do vírus. Conhecida como "espectroscopia no infravermelho próximo", a técnica é simples, tem alta taxa de precisão e dispensa o uso de reagentes: atributos que a tornam uma alternativa potencial ao tradicional método de análise genética adotado para a mesma finalidade, conhecido como qPCR.

Amplamente aplicado pela indústria farmacêutica, na agricultura e na medicina, o infravermelho é alvo de estudos de um grupo de cientistas do IOC/Fiocruz, da Austrália e dos Estados Unidos. O objetivo, segundo a pesquisa, que foi publicada na revista científica Science Advances, era comprovar a eficácia do método para uso em insetos, em especial, na detecção de vírus como os da dengue, da zika e da chikungunya.

A primeira etapa do estudo exigiu a calibração do equipamento de infravermelho para que fosse capaz de distinguir mosquitos Aedes infectados de outros insetos sem o vírus. Para isso, foram utilizadas 275 fêmeas criadas em laboratório. Divididas em dois grupos, metade foi alimentada com sangue contaminado com zika – proveniente da linhagem circulante no país. A outra metade das fêmeas, que funcionou como grupo controle, recebeu sangue não infectado.

Para realizar os testes, os pesquisadores esperaram dois intervalos de tempo: quatro e sete dias após a alimentação com sangue. A tecnologia de infravermelho foi usada para captar a intensidade de radiação da região do tórax e da cabeça dos mosquitos. "É no tórax que estão localizadas as glândulas salivares do Aedes. A verificação da cabeça permite constatar se ocorreu disseminação do vírus no corpo do mosquito depois da ingestão do sangue infectado. Isso é importante porque o Aedes apenas transmite o vírus na medida em que é capaz de liberá-lo na saliva durante a picada", explica Rafael Freitas, pesquisador do IOC/Fiocruz e coordenador da participação brasileira no estudo. Neste teste, a precisão do infravermelho ultrapassou 95%.

Custo-benefício

Em comparação ao método tradicional, considerado de alto custo, demorado e invasivo, a nova técnica apresenta características proporcionalmente opostas. Considerando o custo dos reagentes e a remuneração paga a um profissional que precise analisar, por exemplo, 100 amostras, a técnica de infravermelho – que dispensa o uso de reagentes – apresenta um custo 116 vezes menor. Além disso, o novo método é capaz de processar o mesmo número de exemplares em apenas 50 minutos, contra 900 minutos (15 horas) do método tradicional: isso o torna 18 vezes mais rápido.

"Toda a relação custo-benefício da nova técnica frente à tradicional se torna ainda mais expressiva quando levamos em conta que, devido à burocracia para a compra e recebimento de reagentes importados, esses itens muitas vezes demoram a chegar, atrasando a capacidade de resposta de um laboratório", comenta a pesquisadora Lilha Maria Barbosa dos Santos, também do IOC/Fiocruz.

Antes da implantação da técnica na rotina de análises, os cientistas precisarão incluir testes em mosquitos Aedes aegypti coletados na natureza já que, até o momento, foram realizados testes em condições artificiais, com a infecção do mosquito provocada em laboratório. A previsão é de que a técnica também seja avaliada para outros vírus, como dengue e chikungunya, assim como para a detecção do parasito causador da malária.

As mudanças químicas que influenciam as diferenças observadas em insetos infectados e não infectados é outro ponto a ser compreendido. "Com essa tecnologia, o IOC e outros institutos de ciência e saúde serão capazes de responder de forma mais acelerada, e com menor custo, a diversos problemas de saúde pública", diz Rafael Freitas.

(com Agência Fiocruz)

Últimas notícias

Comentários