Para especialista, obesidade é um problema psicológico

Muitas pessoas acabam viciadas nos alimentos industrializados

por Da redação com assessorias 20/06/2018 09:52

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Pixabay
(foto: Pixabay)
Segundo dados do Ministério da Saúde, 18,9% da população brasileira acima de 18 anos é considerada obesa – com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30. Com um número cada vez maior de produtos ricos em gordura, açúcar e sódio nas gôndolas dos supermercados, acaba sendo difícil para as pessoas controlarem a compulsão alimentar.

"É preciso diminuir a vergonha, enfrentar a desesperança de não conseguir parar de comer e procurar ajuda. Procurar ajuda pode ser difícil, mas o tratamento é eficaz, pois é fundamental desenvolver uma relação mais saudável com a comida e o peso, lembrar que o tratamento demora em fazer efeito e não se desesperar, pois a vida é uma maratona e não uma corrida de 100 m", comenta o psiquiatra Roberto Ratzke, da Unimed de Curitiba (PR).

O especialista explica que esses alimentos criados para serem atraentes são responsáveis por "viciar" os consumidores, dificultando ainda mais a manutenção das dietas e da caapcidade de resistir às "tentações". "Os alimentos podem viciar e uns mais que outros. Doces e gorduras dão um prazer imediato, uma sensação de bem estar, assim como álcool e drogas.  A explicação para esse fenômeno é química: a gordura é composta por grandes moléculas de ácidos graxos, agentes que revelam o sabor. A relação entre o consumo de açúcar e o comportamento tem explicações biológicas. A glicose estimula a produção de serotonina e endorfina, neurotransmissores que regulam as sensações de bem-estar e prazer", explica o psiquiatra.

Portanto, a gordura e a glicose, conforme o especialista, acabam sendo uma "solução imediata" para problemas emocionais, especialmente transtorno de ansiedade e depressão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno da compulsão alimentar, que leva ao consumo exagerado de alimentos (mesmo seme star com fome), atinge cerca de 2,6% da população. O Brasil tem uma das taxas mais altas do mundo, com 4,7%.

"Dois terços que apresentam transtorno de compulsão alimentar são obesos. Nesse sentido, a compulsão pode ser entendida como uma necessidade interna, uma força, que leva a pessoa a repetir um determinado comportamento. Essas ações costumam vir seguidas de uma sensação de alívio ou bem-estar. Cientificamente, é definida como uma ingestão de grande quantidade de comida, maior do que a maioria das pessoas comeria, em um intervalo de tempo menor que duas horas. Porém, aliada à esta ingestão, vem o hábito de comer rápido e sozinho, até se sentir cheio e com vergonha da quantidade de comida que ingeriu. Outro aspecto é a sensação de culpa, desânimo e perda de controle sobre o que consome", afirma Roberto Ratzke.

O médico lembra que a compulsão alimentar costuma ser acompanhada dos transtornos de ansiedade e humor, podendo gerar depressão e transtorno bipolar. O problema ´psicológico também pode levar ao alcoolismo e ao uso de substâncias ilícitas como maconha e cocaína.

"Existem diversos fatores que podem interferir e até mesmo causar a compulsão alimentar, como os culturais, psicológicos e biológicos. Estes últimos, provocam uma desregulação de hormônios de estresse, como o cortisol, além dos hormônios ligados ao comportamento alimentar, como a grelina e leptina, neurotransmissores ligados ao humor e saciedade, como a serotonina, e ao sistema de recompensa cerebral, como a dopamina", esclarece o psiquiatra.

Portanto, na opinião do especialista, os obesos que possuem dificuldade na perda de peso e que sofrem com o transtorno de compulsão alimentar têm maior sofrimento, prejuízo funcional e menor qualidade de vida. Neste caso, o tratamento precisa ser feito com a ajuda de psiquiatras e psicólogos. "Existe um estigma à obesidade de maneira geral, uma vergonha de estar obeso, de apresentar compulsão alimentar, o que afasta as pessoas do tratamento", diz Ratzke.

Últimas notícias

Comentários