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Estado de Minas SAúDE

Entenda a neuralgia do trigêmeo, que causa a 'pior dor do mundo'

O problema pode surgir sem que haja uma causa aparente


postado em 04/07/2018 10:30 / atualizado em 04/07/2018 10:55

(foto: Artem Furman/Pridedentaloffice.com/Reprodução)
(foto: Artem Furman/Pridedentaloffice.com/Reprodução)
Quem já sofreu com a neuralgia (ou nevralgia, dor intensa) do trigêmeo (músculo próximo da mandíbula), a mais comum entre as dores que acometem o rosto, sabe que o problema é sério e afeta drasticamente a qualidade de vida do paciente. A neuralgia do trigêmeop é descrita como um choque de curta duração, frequentemente envolvendo o maxilar. Além disso, é uma dor que costuma atingir apenas um lado da face, normalmente o direito. Pode ocorrer diversas vezes ao dia ou algumas vezes no mês.

Segundo o neurocirurgião Iuri Weinmann, do Centro Neurológico Weinmann, de Campo Grande (MS), o nervo trigêmeo leva este nome porque se divide em três ramos na face: o oftálmico, o maxilar e o mandibular. A neuralgia, portanto, pode afetar todas essas regiões. "O trigêmeo é um nervo misto, pois possui uma raiz motora e uma raiz sensitiva. Ou seja, ele é responsável tanto pelos movimentos musculares da face, quanto pela sensibilidade na maior parte da cabeça", comenta o médico.

A causa desse problema que gera a chamada "pior dor do mundo" ainda é um mistério para a Medicina. Há algumas hipóteses, como a compressão de vasos sanguíneos sobre as raízes nervosas do trigêmeo, que representaria de 80% a 90% dos casos. "Mas, a maioria dos casos é idiopática, ou seja, sem causa conhecida. Entretanto, temos os casos em que a neuralgia é resultado de uma outra condição médica, como tumores, anormalidades cranianas, malformações arteriovenosas e esclerose múltipla", afirma o especialista.

Curiosamente, a neuralgia do trigêmeo é mais frequente nas mulheres: elas representam cerca de 60% dos casos. A idade também é um fator de risco, já que há maior prevalência em pessoas com mais de 40 anos, sendo ainda mais comum entre os 60 e 70 anos. Além disso, pessoas com hipertensão têm um risco aumentado para desenvolver essa nevralgia. Mas, a condição pode afetar pessoas mais jovens também.

Sintomas

"A dor costuma ser desencadeada por certas situações cotidianas, como escovar os dentes, beber, comer, falar ou tocar no rosto. A crise dolorosa dura de um a dois minutos, mas há casos em que pode durar até 15 minutos. É descrita como um dor aguda, intensa, repentina e lancinante", diz Iuri Weinmann.

Quem já foi vítima da neuralgia do trigêmeo afirma que se trata de uma dor insuportável, com sensação de queimação, pontadas, choque e até ardência nos lábios, gengiva, bochechas e região do maxilar inferior. "Com o passar do tempo, sem o tratamento adequado, há um menor espaçamento entre as crises. Assim, há um aumento da frequência e da intensidade da dor", revela o neurocirurgião.

Uma das principais características do problema é que não há sinais de perda da sensibilidade. Pelo contrário, alguns pacientes podem ter hiperestesia facial, ou seja, ter um excesso de sensibilidade em partes do rosto, assim como lacrimejamento em apenas um dos olhos.

Outra questão importante é que o paciente pode confundir essa dor com algum problema dentário, o que pode atrasar o diagnóstico. Neste caso, apenas o médico é capaz, por meio da anamnese minuciosa, excluir outras causas, como problemas dentários, cefaleia e mesmo algum tumor.

Tratamento

De acordo com o especialista, em princípio, o tratamento se dá por meio de medicamentos e fisioterapia. Entretanto, quando o paciente que não responde à terapia medicamentosa, pode ser necessária a realização de cirurgia.

Iuri Weinmann explica que, atualmente, os procedimentos cirúrgicos mais usados para tratar a neuralgia do trigêmeo são a descompressão neurovascular, a rizotomia por radiofrequência ou glicerol e balão no Glânglio Gasseriano. Cada método tem uma indicação e isso é avaliado de forma individual.

"A descompressão é uma técnica que apresenta um alívio da dor por tempo prolongado em cerca de 70% dos pacientes com mais de 10 anos de acometimento. Normalmente é indicada para pacientes jovens. É uma técnica que retira irregularidades nos ossos da base do crânio que estão perto do nervo trigêmeo, ou ainda que remove vasos sanguíneos que podem pulsar e desencadear a dor", esclarece o médico.

Já a rizotomia é uma técnica que destrói as fibras nervosas que causam a dor de forma irreversível. Embora a taxa de sucesso é alta, 97% nos anos iniciais, a pessoa irá perder a sensibilidade em boa parte da face. Por fim, o balão de compressão é uma técnica que oferece remissão da dor por mais tempo quando comparado aos outros métodos. É um procedimento rápido, feito com anestesia local e sem cortes. O neurocirurgião insere um cateter dentro da bochecha do paciente e um balão pequeno é inflado para comprimir o gânglio do trigêmeo, eliminando a dor em 98% dos casos.

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