Remédio contra o HIV usado no Brasil tem eficácia comprovada

Dolutegravir associado a outras substâncias se mostrou capaz de suprimir o vírus da Aids

por Encontro Digital 24/07/2018 15:48

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Ministério da Saúde/Divulgação
(foto: Ministério da Saúde/Divulgação)
Um estudo brasileiro realizado com mais de 100 mil pacientes em início de terapia antirretroviral comprovou a eficácia do medicamento dolutegravir, usado no tratamento contra o HIV, em comparação com outras drogas. A pesquisa mostra que pacientes submetidos a coquetéis que incluem esse fármaco estiveram significativamente mais propensos a atingir a chamada supressão virológica (carga viral a níveis indetectáveis) do que os submetidos a coquetéis que não usam o dolutegravir.

Os resultados foram apresentados hoje durante a 22ª Conferência Internacional de Aids, realizada pela Organização MUndial de Saúde (OMS), em Amsterdã, na Holanda.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram coletados dados provenientes do SUS de 103.240 pacientes com 15 anos ou mais que iniciaram o tratamento antirretroviral entre janeiro de 2014 e junho de 2017.

"Estudos desse tipo têm sido muito utilizados na tomada de decisão sobre novos medicamentos, pois são conduzidos em ambiente do mundo real, cujas populações participantes são muito mais representativas da realidade do que aquelas selecionadas para ensaios clínicos, sendo estes realizados em ambientes controlados e com critérios mais rigorosos de inclusão de pacientes", informa o ministério.

Os resultados do estudo demonstram que o esquema de tratamento com o dolutegravir, associado ao tenofovir e à lamivudina, foi 42% mais eficaz na supressão da carga viral do HIV, em um período de seis meses, quando comparado à combinação dos antirretrovirais efavirenz, tenofovir e lamivudina, esquema de primeira linha recomendado anteriormente ao dolutegravir. Na comparação com outros esquemas, o remédio, associado ao tenofovir e à lamivudina, mostrou-se de 51% a 162% mais efetivo.

Terapia antirretroviral

A terapia antirretroviral diminui significativamente a quantidade de HIV no sangue, suprimindo a carga viral. Segundo o Ministério da Saúde, atingir e manter a carga viral indetectável, além de trazer benefícios para a saúde da pessoa que vive com HIV, reduz a quase zero o risco de transmissão do vírus por via sexual. "Por isso, os resultados do estudo são ainda mais animadores para a resposta brasileira ao HIV", afirma a pasta.

Os antirretrovirais são medicamentos usados no tratamento do vírus causador da Aids que atuam no sistema imunológico, bloqueando as diferentes fases do ciclo de multiplicação do vírus no corpo. O dolutegravir faz parte de uma nova classe de antirretrovirais do tipo dos inibidores de integrase, que atuam impedindo que o código genético do HIV se integre à célula humana, impossibilitando, assim, sua multiplicação.

Desde janeiro de 2017, o dolutegravir é usado no Brasil para pacientes iniciantes no tratamento do HIV. Mais recentemente, foi incluída, nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do vírus, a recomendação de mudança para o dolutegravir nos esquemas de tratamento de terceira linha com raltegravir e naqueles em que o paciente apresente eventos adversos e toxicidades indesejáveis.

(com Agência Brasil)

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