Publicidade

Estado de Minas CIêNCIA

Perda de gene transformou os humanos em velocistas de longa distância

Essa evolução foi comprovada por estudo com cobaias


postado em 12/09/2018 09:29 / atualizado em 12/09/2018 09:42

(foto: Pixabay)
(foto: Pixabay)
Há cerca de três milhões de anos, o desaparecimento de um gene gerou a espécie humana moderna (Homo sapiens) e representou uma série de alterações orgânicas. Essa mudança foi estudada por uma pesquisa publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B. Cientistas da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, descreveram o que ocorreu com ratos dos quais foi retirado esse gene, conhecido como CMAH. Os dados sugerem que a proteína perdida também pode ter contribuído para o fato de o homem ser um dos melhores corredores de longa distância do reino animal.

Aproximadamente na mesma época em que a mutação da CMAH se instalou, os ancestrais humanos estavam deixando as florestas para a vida nas áridas savanas da África. Eles já eram bípedes e seus corpos e habilidades evoluíam dramaticamente, em particular, no que diz respeito à biomecânica e à fisiologia do esqueleto – resultando em pernas longas e elásticas, pés grandes, músculos glúteos poderosos e um sistema expansivo de glândulas sudoríparas. Graças a isso, o calor se dissipava com muito mais eficácia que em outros mamíferos maiores.

Segundo os cientistas, essas alterações ajudaram no surgimento da capacidade humana de percorrer longas distâncias de forma incansável, permitindo que os ancestrais caçassem no calor do dia, quando outros carnívoros descansavam, e perseguissem seu ponto de exaustão, uma técnica chamada persistência. "Descobrimos essa primeira diferença genética entre humanos e nossos parentes evolutivos mais próximos, os chimpanzés, há mais de 20 anos", comenta o professor Ajit Varki, principal autor do estudo, no artigo recém publicado.

O cientista afirma que os dados observados nas cobaias que perdaram a CMAH mostram que a mudança contribui para melhoria da capacidade musculoesquelética em relação ao uso de oxigênio. "Se as descobertas se traduzirem nos humanos, essa mutação pode ter fornecido aos primeiros hominídeos uma vantagem seletiva quando desceram das árvores para se tornar caçadores-coletores em áreas abertas, como as savanas", afirma o pesquisador.

Imunidade elevada

Quando o gene CMAH sofreu mutação nos primeiros hominídeos, provavelmente em resposta a pressões evolutivas causadas por um antigo patógeno, isso alterou a forma como a espécie, incluindo os humanos modernos, usava os ácidos siálicos – moléculas de açúcar que revestem as superfícies de todas as células animais e que servem como pontos de contato vitais para interação com outras células e com o ambiente circundante.

Essa mudança acabou sendo vantajosa. Ajit Varki associa a perda do gene CMAH e da forma como eram usados os ácidos siálicos não apenas à melhoria da capacidade de corrida de longa distância, mas ao aumento da imunidade inata nos primeiros hominídeos. Os ácidos siálicos também podem ser um biomarcador para o risco de surgimento de câncer.

Por outro lado, os pesquisadores também relataram que certos ácidos siálicos estão associados ao aumento do risco de diabetes tipo 2, podendo contribuir para chance maior de se ter câncer em decorrência do consumo de carne vermelha, além de desencadear inflamações.

Os comentários não representam a opinião da revista e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade