
A estreia da montagem, cheia de ineditismos, ocorre no dia 13 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo. Em seguida, o grupo segue para Belo Horizonte, onde fica em cartaz de 27 a 31 de agosto, no Palácio das Artes, antes de seguir em turnê por outras cidades do país.
Como já destacou a reportagem da Encontro, em junho, esta será a primeira vez em que a trilha sonora foi confiada exclusivamente a uma mulher: a compositora e multi-instrumentista Clarice Assad, filha de Sergio Assad e integrante de uma das mais relevantes famílias da música erudita brasileira. Clarice compôs uma peça que combina elementos orquestrais, sons eletrônicos e até trechos gerados com o auxílio de inteligência artificial. A música segue uma espécie de jornada interna que parte de um som mais orgânico, ganha camadas orquestrais e avança para uma espécie de caos sonoro.
Outro aspecto inovador está na forma como a coreografia foi concebida. De maneira inédita, dois coreógrafos residentes dividem a autoria de uma obra do grupo. Rodrigo Pederneiras, responsável por quase toda a produção coreográfica da companhia desde os anos 1980, criou uma peça com um grupo de bailarinos. E Cassi Abranches criou outra. Ela já foi bailarina do grupo e, além do argentino Oscar Araiz, que coreografou os primeiros balés da companhia, foi a única a já ter dirigido um espetáculo do Corpo – no caso, Suite Branca, de 2015, com trilha de Samuel Rosa.
Desta vez, os dois criaram, a partir da trilha de Clarice – denominado (R)evolution –, peças independentes, sem interferência direta um no trabalho do outro. Só mais recentemente, as duas coreografias foram integradas, formando um balé único, que abriga e conecta as duas visões.
Em diálogo com o título, o cenário será inteiramente revestido por painéis feitos com cerca de 80 mil tampas de latas de sardinha, organizadas de modo a criar um efeito visual semelhante a escamas de peixe. As tampas metálicas vão cobrir o fundo e as laterais do palco, refletindo a luz e compondo com os figurinos, desta vez sob os cuidados dos irmãos Marcelo Alvarenga e Susana Bastos, que já trabalharam com Freusa Zechmeister, que faleceu no ano passado e, há décadas, desenhava os trajes da companhia com atenção aos volumes e à fluidez do movimento.
Mais novidades
Além de Piracema, o cinquentenário do Grupo Corpo será celebrado com o lançamento de um documentário dirigido por Janaína Patrocínio, que acompanha o cotidiano da companhia e revisita momentos marcantes da sua história, e com a publicação de um livro de fotografias de José Luiz Pederneiras, organizado pelo Estúdio Campo e editado pela BEI. A campanha visual comemorativa ficou a cargo da Africa Creative, agência que criou uma nova identidade gráfica para o ano especial.
Fundada em Belo Horizonte, em 1975, como uma escola de dança. A consagração veio logo na peça de estreia, o balé Maria, Maria, de 1976, com trilha de Milton Nascimento e Fernando Brant e, como mencionado, coreografia de Oscar Araiz. O espetáculo percorreu 14 países e se manteve no repertório até 1982. Desde então, o grupo acumulou mais de 40 coreografias originais, se apresentou em cerca de 250 cidades de dezenas países e consolidou sua marca estética singular, com movimentos quebrados, que exaltam o gingar do corpo brasileiro.