
Podem se inscrever artistas a partir de 18 anos que atuem nas áreas de artes cênicas, música, literatura e audiovisual. As inscrições devem ser feitas exclusivamente por meio de formulário digital, disponível no Instagram @fanchecleticas e no site oficial das Fanchecléticas.
“Chegar a esta primeira edição presencial é o amadurecimento desse caminho coletivo. Depois de cinco anos, finalmente concretizamos o que em 2021, durante a pandemia, era apenas um desejo: o olho no olho e contato físico”, celebra Éle Fernandes, que assina a coordenação de curadoria do festival ao lado de integrantes das Fanchecléticas e da Associação Artes Sapas.
Neste ano, a programação será composta por 16 trabalhos artísticos e duas ações formativas, orientadas pelo conceito de Colheita, eixo curatorial da edição. “Para nós, o ato de colher significa também reconhecer os caminhos que percorremos. Nossas criações dialogam com linhagens que vieram antes de nós. Artistas, coletivas, corpas, corpos, movimentos que prepararam o solo para que pudéssemos arar. Nosso festival propõe que essas memórias sejam criadas, revisitadas, reimaginadas e atualizadas em obras que tragam a força de quem semeou antes o futuro ancestral”, acrescenta Éle Fernandes.
A seleção será feita por uma curadoria formada por integrantes das Fanchecléticas e da Associação Artes Sapas, com base em critérios como relevância conceitual, qualidade narrativa, poética, estética e técnica, diálogo com o conceito do festival, pluralidade de vozes e diversidade territorial.
No segmento de artes cênicas, poderão ser inscritos trabalhos de teatro, dança, circo ou performance, com duração entre 45 e 120 minutos. Para o audiovisual, são aceitos curtas-metragens e documentários de até 25 minutos, em qualquer gênero e sem restrição de ano de produção, exceto filmes publicitários, institucionais, seriados e videoclipes.
Na área de literatura, a curadoria receberá propostas como saraus, narração artística, contação de histórias e performances literárias, com duração entre 15 e 40 minutos. Já na música, serão selecionados trabalhos ao vivo no formato pocket show, com apresentações entre 20 e 40 minutos. Também podem ser inscritas oficinas, com duração mínima de duas horas, desde que dialoguem direta ou transversalmente com o conceito de Colheita.
Cada artista, coletivo ou grupo pode inscrever até duas propostas, desde que em linguagens distintas. Os trabalhos selecionados receberão cachê, conforme previsto em edital, incluindo transporte, alimentação e equipe técnica. A programação presencial do festival está prevista para acontecer em março, em Belo Horizonte.
Para Éle Fernandes, o FAFAN se consolida como espaço de afirmação política e artística. A cada ano que passa, o FAFAN se afirma como um espaço de luta ao compreender a arte não apenas como um produto, mas como prática política e ferramenta de transformação social. Para nós, a luta se manifesta na escolha de quem ocupa o centro da curadoria, afirmando corpas dissidentes e narrativas silenciadas que escapam às lógicas hegemônicas de produção cultural. O festival é, essencialmente, um território de confronto simbólico onde o ato de produzir e ocupar o espaço enquanto pessoas LGBTQIAPN já se configura como uma forma de resiliência e insurgência”, conclui.