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Ópera de Verdi ganha versão infantil ambientada no samba

"Aida: A Rainha da Bateria" estreia no Palácio das Artes neste domingo (25)


postado em 20/01/2026 07:10 / atualizado em 20/01/2026 07:15

A proposta de
A proposta de "Aida" é valorizar a identidade e a cultura afro-brasileira (foto: Allan Calisto/Divulgação)
No aquecimento do Carnaval, o Palácio das Artes recebe, no domingo (25), a estreia de “Aida: A Rainha da Bateria”. A apresentação acontece às 17h, no Grande Teatro, e marca a adaptação inédita da ópera “Aída”, de Giuseppe Verdi, para o público infantil, ambientada no universo do samba e da cultura afro-brasileira.

Produzido pela Cyntilante Produções, o espetáculo integra a tetralogia de montagens operísticas voltadas para infância e juventude desenvolvida pela companhia. Como parte da experiência, crianças que comparecerem fantasiadas à sessão receberão uma surpresa ao final da apresentação.

Com adaptação afrocentrada, “Aida: A Rainha da Bateria” conta com elenco formado por sete atores-cantores e quatro músicos. A montagem ressignifica a narrativa original ao apresentar Aida como filha da Rainha de Bateria Râmfis. Ao longo do espetáculo, o público é conduzido pelas melodias da ópera de Verdi em arranjos que transitam por samba-canção, choro, partido alto, ijexá e samba-enredo, entre outras variações do gênero.

Na versão criada pela Cyntilante, Aida é herdeira de uma ancestralidade de resistência e tem sua trajetória atravessada por obstáculos impostos pela patroa Amnéris, uma influenciadora digital, e pelo bicheiro Jacaré, patrono da escola de samba Canários da Terra. Apoiada por sua comunidade e guiada pela profecia do Babalorixá Amonasro, seu pai, a personagem busca conquistar seu lugar como Rainha da Bateria no desfile de Carnaval.

“Aida: A Rainha da bateria” é a terceira ópera da tetralogia da Cyntilante Produções, que já montou “João e Maria - Opereja” (2023), adaptação da história clássica ambientada no sertão, e “A Guitarra Mágica” (2024), ópera rock inspirada em “A Flauta Mágica”, de Mozart. O diretor antecipa os planos para o encerramento do projeto: “será inspirada em ‘O Guarani’ de Carlos Gomes. Vamos mergulhar na cultura dos povos originários”, revela.

Segundo Bustamante, a proposta de “Aida”, que tem dramaturgia autoral e trilha sonora adaptada por Leandro Braga, é valorizar a identidade e a cultura afro-brasileira. “Historicamente os musicais da Cyntilante trazem histórias sob um ponto de vista eurocêntrico, normalmente são adaptações de clássicos universais. Desta vez, nos empenhamos em resgatar a cultura afro-brasileira e a cosmologia iorubá. Entendemos a importância de cada vez mais trazermos esse debate para o centro da cena”, diz.
 
"Aida: A Rainha da Bateria". 25/1, às 17h, Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537 - Centro). Ingressos a partir de R$ 25 nos postos e site do Sinparc e no aplicativo Vá ao Teatro. Crianças até 2 anos não pagam. 

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