
Com trilha sonora assinada pela banda mineira Confeitaria e outros artistas, o solo integra o projeto “Terra Raiz – Entre Serras”, que propõe a circulação da pesquisa-espetáculo por territórios marcados pela relação entre natureza, memória e conflitos ambientais em Minas Gerais.
“Terra Raiz” nasce de uma pesquisa em dança e performance desenvolvida pelas multiartistas Sara Marchezini e Renata Mara, que articula temas como território, memória, ancestralidade, decolonização do fazer e do pensar a dança, além de questões ligadas às mulheridades. Para Sara, “refletir sobre a memória, o território e a ancestralidade são aspectos muito importantes e relevantes. O principal ponto é como nossos corpos são atravessados pelo que acontece também no território externo/físico ou no interno/subjetivo”.
Como desdobramento dessa investigação, surgiu o solo que, nesta fase, conta com a mentoria da bailarina Aline Blasius, do Grupo Cena 11 (SC), como artista-provocadora. “Esse processo vem sendo construído e amadurecido desde 2019. A ideia é de uma pesquisa viva, em fluxo e que busca seus desvios e moldes, criando e recriando, costurando camadas no seu fazer. Com isso, ‘Terra Raiz-Entre Serras’, nesta etapa em que faço o solo, é só mais um passo do processo”, revela.
A proposta do espetáculo parte da pergunta sobre o lugar do ser humano em relação à terra e às transformações do território. “Além disso, o espetáculo leva para o público uma provocação ambiental: o que estamos fazendo com a própria terra?”, questiona Sara. A escolha do Parque das Mangabeiras como espaço de apresentação reforça essa reflexão, especialmente pela proximidade com a Serra do Curral, símbolo de Belo Horizonte ameaçado por interesses da mineração.
A preocupação ambiental atravessa também a produção do espetáculo: materiais gráficos e crachás utilizados pelo projeto são confeccionados com materiais reciclados. “Especificamente, nesta apresentação, se sente na pele a memória, andanças, cartografias moventes e comoventes”, observa a artista.
Encerrando a experiência, a ação “Corpo-território em fluxo” convida o público ao diálogo e ao plantio coletivo de sementes de pimenta-biquinho, presentes no próprio programa do espetáculo, impresso em papel semente. Para Sara, o trabalho também busca criar vínculos entre as pessoas. “É urgente as pessoas se reconectarem com suas formas mais gentis, afetuosos, humanas - apesar da revolta e da raiva perante as injustiças e todos os processos destrutivos que estamos vivendo -precisamos do sentir, da conexão, da escuta com generosidade. ‘O broto que sai do lugar renasce pra luz chegar’, frase do espetáculo que escrevi logo no início do processo”, afirma.
“Terra Raiz” já integrou festivais e mostras no Brasil e no exterior, como o Festival Acessa BH, o Entre Arte e Acesso – Festival Cultural Latino-Americano, em Dresden (Alemanha), além de apresentações em Belo Horizonte, Catas Altas (MG) e Aracaju (SE). Após a apresentação no Parque das Mangabeiras, o solo será apresentado no Centro Cultural Jaboticatubas, no dia 7 de fevereiro, às 16h, e no Memorial Brumadinho, com data a ser divulgada.
Terra Raiz. 24/1 (sábado), às 10h, Teatro de Arena do Parque das Mangabeiras (Av. José do Patrocínio Pontes, 580, Mangabeiras). Entrada gratuita. Classificação livre. Acessibilidade em Libras. 7/2 (sábado), às 16h, Centro Cultural Jaboticatubas (Alameda João Batista Marques, 15, Sagrada Família, Jaboticatubas). Entrada gratuita. Classificação livre. Acessibilidade em Libras.