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Sarau Substantivo Mulher celebra compositoras da cena de BH

10ª edição do evento reúne artistas da capital no Teatro Raul Belém Machado, com shows e encontros entre gerações


postado em 04/03/2026 07:35 / atualizado em 04/03/2026 07:49

Uma das representantes feminas da Velha Guarda do Samba de BH, Dona Eliza é uma das atrações do evento(foto: Pablo Bernardo/Divulgação)
Uma das representantes feminas da Velha Guarda do Samba de BH, Dona Eliza é uma das atrações do evento (foto: Pablo Bernardo/Divulgação)
No mês internacional de luta pelos direitos das mulheres, Belo Horizonte recebe a 10ª edição do Sarau Substantivo Mulher, evento dedicado à valorização da produção autoral de compositoras e cantoras da cena musical da capital. A programação acontece neste sábado (7), a partir das 17h, no Teatro Raul Belém Machado, com entrada gratuita mediante retirada de ingressos pelo Sympla ou na bilheteria uma hora antes do início do evento.

Com curadoria das cantoras e compositoras Irene Bertachini e Deh Muss, o sarau reúne apresentações musicais que evidenciam diferentes linguagens e trajetórias da música feita por mulheres na cidade. A abertura será conduzida pelas duas curadoras, que interpretam duas canções antes do início da sequência de shows.

Ao longo da noite, o palco recebe apresentações de Dona Eliza e Iaiá Drumond, Ana Cristina (Ana C) e Brisa Marques, Sol Bueno e Camila Menezes, além de Tamara Franklin e Teffy Angel. As artistas serão acompanhadas pelas instrumentistas Letícia Leal, na viola, e Analu Baga, na percussão. Ao final da programação, o evento promove ainda um palco aberto para que outras artistas presentes possam apresentar seus trabalhos.

Segundo Irene Bertachini, idealizadora do projeto e uma das curadoras, o evento nasceu com a proposta de reforçar a presença feminina na criação musical. “Quando colocamos a palavra ‘substantivo’ ao lado de ‘mulher’ reforçamos a importância de exigirmos nosso espaço. Ainda somos invisibilizadas. Precisamos celebrar a nossa musicalidade e resistir nesse contexto onde impera o patriarcado”, contextualiza.

Deh Muss, também responsável pela curadoria, ressalta a importância de ampliar a visibilidade das mulheres na música. “Ainda vivemos em uma sociedade extremamente sexista e machista que sempre relega as mulheres ao anonimato na música ou apenas ao lugar de intérprete, não de pensadoras e criadoras de sua arte e expressão”, diz.

Nesta décima edição, o sarau adota um formato comemorativo, ampliando o número de compositoras no palco e promovendo encontros entre diferentes gerações de artistas da cena belo-horizontina.

Irene Bertachini destaca que a proposta é apresentar ao público a diversidade estética presente na produção feminina da cidade. “A viola caipira, capoeira, o samba, o hip hop e o erudito, mas também presenciar, no palco, o encontro entre gerações: veteranas e novos talentos da cena autoral. A cada show, uma artista convida outra cantautora para subir ao palco”, diz.

Programação

A programação tem início com a apresentação da cantora e compositora Sol Bueno, vencedora do Prêmio da Música Popular de Minas Gerais em 2020 na categoria melhor trabalho de música regional. No repertório, a artista apresenta composições autorais já lançadas e músicas do novo álbum “Da Avó de vó”, previsto para este ano.

Durante o show, Sol Bueno convida a multi-instrumentista, compositora, arranjadora e produtora musical Camila Menezes. Com nove premiações em festivais pelo Brasil, a artista também integra projetos como as bandas Dolores 602 e Tutu com Tacacá, além de ter acompanhado nomes como Marina Machado, Celinha Braga e Patrícia Ahmaral. Desde 2021, desenvolve carreira solo com a viola caipira, com dois álbuns e um EP lançados, além de turnês por Minas Gerais, São Paulo e países como Portugal, Espanha, Itália e Argentina. Atualmente, prepara seu terceiro álbum dedicado ao instrumento.

O segundo show será conduzido pela cantora e escritora Ana C (Ana Cristina). Natural de Itabira e radicada em Belo Horizonte, ela iniciou sua carreira profissional em 1986 durante a “Semana Elis”, realizada no Grande Teatro do Palácio das Artes. Conhecida pela versatilidade vocal, transitou por estilos como bossa nova, jazz e música pop, além de desenvolver um repertório autoral que inclui composições infantis. Desde o lançamento do primeiro disco, “Outras Esquinas”, em 1995, já lançou outros sete álbuns, sendo o mais recente “Entrecordas”, de 2025.

Na apresentação, Ana C recebe no palco a artista multidisciplinar Brisa Marques. Graduada em teatro e jornalismo, Brisa atua principalmente na escrita, sendo coautora de canções, dramaturgias e performances. Ela também é autora dos livros “Entre as veias de fato” e “corpo-concreto”, além de ter mais de 60 músicas gravadas. Na trajetória profissional, atuou na Rede Minas e na Rádio Inconfidência, e atualmente trabalha como analista cultural regional na Funarte Minas Gerais.

No terceiro show da noite, a cantora, compositora e preparadora vocal Iaiá Drumond apresenta repertório que reúne músicas inéditas e canções de seus álbuns “Γα%u03AFα”, de 2021, e “Acende o Candeeiro”, de 2025, projeto desenvolvido em parceria com o grupo Arco Musical. Com formação em Música pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Iaiá integra o Coral Lírico de Minas Gerais e possui trajetória que transita entre a música popular e a música de concerto.

Durante sua apresentação, ela convida a sambista Dona Eliza (Ana Eliza de Souza). Natural de Águas Formosas, no Norte de Minas, a artista é reconhecida como uma das poucas representantes femininas da Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte. Com mais de 50 anos de carreira, lançou em 2017 o álbum “Diploma da Vida”, reunindo 12 composições autorais. Atualmente, soma mais de 700 músicas registradas.

Encerrando a programação, a cantora, compositora e arte-educadora Tamara Franklin apresenta o espetáculo “Víbora”. Natural de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a artista tem mais de duas décadas de atuação no rap e na cultura hip hop. Em 2015, lançou “Anônima”, considerado o primeiro álbum solo de uma mulher do rap mineiro.

No sarau, Tamara apresenta um repertório que percorre diferentes vertentes do rap — do Boom Bap ao Trap, passando pelo Drill e pelo Jersey — além de influências da música jamaicana, dos Afrobeats e do Neo Soul.

Para dividir o palco, ela convida a cantora e compositora Teffy Angel, artista do Aglomerado da Serra. A cantora lançou singles como “Swing Envolvente”, “É Só Você” e “Ladra”, além do álbum “Gata Preta”, de 2022. Também atua como DJ, comunicadora popular e produtora musical, com trabalhos voltados à cultura periférica.
 
SARAU SUBSTANTIVO MULHER (10ª edição) 
7/03, sábado – 17h
Local: Espaço Cênico Yoshifumi Yagi/Teatro Raul Belém Machado (Rua Leonil Prata 53 – Alípio de Melo)
SHOW 1 - Sol Bueno convida Camila Menezes
SHOW 2 - Ana C convida Brisa Marques
SHOW 3 - Iaiá Drumond convida Dona Eliza
SHOW 4 - Tamara Franklin convida Teffy Angel
Acompanhadas por
Letícia Leal (viola) e Analu Braga (percussão)
Retirada gratuita de ingresso no Sympla 

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