
A iniciativa homenageia o cineasta belo-horizontino Guilherme Fiuza Zenha, falecido em 2024, e exibe, na abertura, a animação “Chef Jack: O Cozinheiro Aventureiro” (2023). No mesmo dia, completam a programação os longas “Placa-Mãe” (2023), de Igor Bastos, e “Nimuendajú” (2025), de Tania Anaya. Já no Dia do Trabalhador, 1º de maio, a curadoria destaca filmes que dialogam com temas sociais, como “Maestra” (2024), de Bruna Piantino, “O Dia que Te Conheci” (2023), de André Novais Oliveira, e “Marte Um” (2022), de Gabriel Martins.
A seleção reúne documentários, animações e ficções que abordam questões contemporâneas e territórios diversos de Minas Gerais. Parte dos filmes será exibida pela primeira vez no circuito do Cine Humberto Mauro após passagens recentes por salas comerciais, como “O Último Episódio” (2025), de Maurílio Martins. Também integram a mostra obras de cineastas reconhecidos, como “Zé” (2023), de Rafael Conde, e “Amizade” (2023), de Cao Guimarães.
Entre os destaques está “Placa-Mãe”, primeira animação produzida no interior de Minas. “A minha trajetória começa em Belo Horizonte, no Curso de Cinema de Animação e Artes Digitais da UFMG, e eu creio que o filme carrega esse diálogo com o tempo em que eu morei em BH. Tem por exemplo o Viaduto Santa Tereza, então acho que a galera da capital vai se identificar bastante, vendo seus lugares e os lugares do interior. Além disso, todo mundo em BH vai ou tem um parente no interior. ‘Placa-Mãe’ é justamente um filme que fala sobre família, e debate também questões da robótica, que estão cada vez mais entrando na nossa vida. Acredito que o público vai gostar, e fico muito feliz de ver uma exibição dessa, no contexto dessa mostra, em um cinema pelo qual eu tenho tanto carinho como o Humberto Mauro, onde eu vi tantos filmes, tantos clássicos. Só tenho a agradecer por me receberem mais uma vez”, afirma o diretor Igor Bastos.
A curadoria também contempla produções que tratam de temas urgentes, como conflitos ambientais e territoriais. Filmes como “A Mensagem de Jequi” (2025), de Igor Amin, e “Cacimba” (2026), de Rodrigo Campos — que terá pré-estreia na mostra — abordam a resistência de comunidades quilombolas. Já “Rejeito” (2023), de Pedro de Filippis, “Suçuarana” (2024), de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, e “O Silêncio das Ostras” (2024), de Marcos Pimentel, discutem os impactos da mineração em Minas Gerais.
A programação inclui ainda produções que dialogam com a memória e a história, como “Santos Dumont, O Céu na Cabeça” (2024), de Monica Cerqueira e Eder Santos, e “Palimpsesto” (2024), de André Di Franco e Felipe Canêdo, que revisita o incêndio no acervo do Museu de História Natural da UFMG. A presença indígena também ganha destaque em “Meu Pai, Kaiowá: Yõg ãtak” (2024), dirigido por Luisa Lanna, Sueli Maxakali, Roberto Romero e Isael Maxakali.
Dirigido por Tania Anaya, “Nimuendajú” marca outro ponto relevante da programação ao ser o primeiro longa mineiro de animação dirigido por uma mulher. “O Cine Humberto Mauro ocupa um lugar especial e afetivo na minha formação. Foi minha principal referência no início, onde tive acesso à filmografia de diretores que admiro e pude ampliar meu repertório ao descobrir novas possibilidades e linguagens. Ao longo dos anos, o Cine Humberto Mauro conseguiu se consolidar e resistir, mesmo diante do fechamento de tantas salas — uma permanência delicada, mas fundamental, desses espaços dedicados à experiência cinematográfica. Por isso, é uma alegria e uma honra fazer parte desta mostra, ao lado de pessoas que admiro: colegas de profissão e apaixonados pelo fazer cinema”, destaca a diretora.
A mostra evidencia ainda a presença feminina no cinema mineiro contemporâneo, com títulos como “A Estação” (2024), de Cristina Maure, “Minha África Imaginária” (2024), de Tatiana Carvalho Costa, e “IMO” (2025), de Bruna Schelb Corrêa. Também há espaço para obras de caráter mais íntimo e autoral, como “Entre Vênus e Marte” (2024), de Cris Ventura, “Tudo que Você Podia Ser” (2023), de Ricardo Alves Jr., e “Corpo Presente” (2024), de Leonardo Barcelos.
A relação com Belo Horizonte e a região metropolitana aparece em produções como “Lagoa do Nado – A festa de um parque” (2024), de Arthur B. Senra, e “Para os Guardados” (2025), de Desali e Rafael Rocha, que retratam dinâmicas sociais e culturais da capital e de Contagem.
Para o curador da mostra e gerente do Cine Humberto Mauro, Vitor Miranda, a seleção propõe um olhar abrangente sobre o cinema produzido no estado. “É mais do que um panorama: nosso objetivo é colocar em relação filmes que partem de experiências muito distintas, mas que compartilham uma mesma implicação com o mundo, uma mesma atenção ao que insiste em existir — seja na permanência dos vínculos, na força das comunidades ou na necessidade de reinventar modos de vida. Ao longo das duas semanas, vamos atravessar diferentes regiões, histórias e experiências, reafirmando Minas Gerais como um espaço de criação múltiplo e em constante transformação. Estamos muito felizes de poder participar da primeira Semana Estadual do Audiovisual Mineiro, abrindo essa janela mais que merecida para que os/as mineiros/as vejam a si mesmos na nossa tela”, afirma.
Serviço
“Especial Cinema Mineiro Contemporâneo” – Semana Estadual do Audiovisual Mineiro
Datas: 30 de abril a 13 de maio de 2026
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro)