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"As Bodas de Fígaro" abre temporada de óperas no Palácio das Artes

Montagem da Fundação Clóvis Salgado reúne OSMG, Coral Lírico e 13 solistas em apresentações entre os dias 17 e 23 de maio


postado em 08/05/2026 13:03 / atualizado em 08/05/2026 13:18

"As Bodas de Fígaro" retorna ao palco do Palácio das Artes quase cinco décadas após sua primeira montagem na instituição (foto: Paulo Lacerda/Divulgação)
A Fundação Clóvis Salgado abre a temporada de óperas de 2026 com uma nova montagem de “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart. O espetáculo será apresentado nos dias 17, 19, 21 e 23 de maio, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, reunindo a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), o Coral Lírico de Minas Gerais (CLMG) e 13 solistas convidados.

Considerada uma das obras mais importantes da história da ópera, “As Bodas de Fígaro” retorna ao palco do Palácio das Artes quase cinco décadas após sua primeira montagem na instituição, realizada em 1978. A produção tem direção musical e regência de André Brant, maestro-residente da OSMG, além de concepção e direção cênica do italiano Mario Corradi. 

A montagem também marca uma série de comemorações simbólicas: os 270 anos de nascimento de Mozart, os 240 anos da estreia da ópera, os 55 anos do Palácio das Artes e os 50 anos da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.

Baseada na peça homônima do dramaturgo francês Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais, a ópera estreou em Viena, em 1786, com libreto de Lorenzo Da Ponte. A trama acompanha os preparativos para o casamento de Fígaro e Susanna no castelo do Conde Almaviva, na Espanha do século XVIII, enquanto tensões amorosas, disputas de poder e jogos de manipulação atravessam a narrativa.

Mesmo classificada como ópera bufa, a obra ficou marcada pela crítica social e pelas discussões sobre desigualdade e abuso de poder. O texto original de Beaumarchais chegou a ser censurado na França antes da Revolução Francesa, e a adaptação de Mozart preserva parte desse caráter político sob o humor e as reviravoltas cômicas.

“Há algum tempo não apresentamos uma ópera bufa, e acredito que estamos precisando de leveza e boas gargalhadas. ‘As Bodas de Fígaro’ é repleta de personagens carismáticos e situações atemporais, criando uma imediata identificação com o público. Amor, ciúme e justiça, enganos e cartas falsas, combinando humor refinado, crítica social inteligente e uma impressionante profundidade. Além de uma música suave e genial. Esta ópera é considerada uma obra perfeita, um marco cultural que permanece vibrante, atual e profundamente conectada com o público”, afirma a diretora-geral da montagem, Cláudia Malta.

Para André Brant, trazer a obra novamente ao palco reforça a importância da formação artística e da valorização do repertório operístico em Belo Horizonte. “A ópera ‘As Bodas de Fígaro’ é uma das mais importantes para o repertório de qualquer teatro lírico. Desde sua estreia no ano de 1786, permanece como um dos pilares do repertório operístico mundial, sendo um dos títulos mais encenados no mundo. Trazer essa ópera para Belo Horizonte fortalece o cenário lírico local ao promover o desenvolvimento técnico de cantores, músicos e equipes criativas, contribuindo para a qualificação profissional e a consolidação de um repertório de referência. Ao trazer Mozart ao palco, o Palácio das Artes reafirma sua vocação como polo cultural, estimulando a formação de público e a valorização de seus talentos locais”, ressalta.

A direção de cena aposta em uma leitura contemporânea da obra, ainda que preservando os figurinos tradicionais. Para Mario Corradi, a atualidade da narrativa está justamente nas relações de poder apresentadas pela trama. “Sinto-me lisonjeado e honrado por ser chamado novamente para encenar uma das maiores criações de Mozart/Da Ponte que, das três óperas que encenei em BH, é, na minha compreensão, a mais moderna (e ouso dizer), contemporânea. As óperas devem ser entendidas como “uma história” e não como uma página da História: qual é a diferença entre o Conde Almaviva, que quer ter relações sexuais com uma de suas funcionárias (Susanna) antes de lhe dar permissão para realizar seu sonho, e muitos altos executivos que querem o mesmo para permitir que uma mulher tenha uma carreira? O lado modernista da ópera também está no papel das mulheres: elas sempre acabam sendo mais inteligentes que os homens. ‘Nozze’ poderia ser feita com roupas contemporâneas, mas fazê-la com trajes tradicionais provavelmente tem um grande impacto na modernidade da história. Toda a história, com todos os enganos, mentiras e tentativas de sedução, acontece dentro de uma gaiola de ouro que apenas uma palavra fará desaparecer: perdão. Quando o Conde ao final canta: ‘Contessa perdono’, segundo Stendhal, Mozart escreve o mais belo coral religioso já escrito. O perdão abre a ‘gaiola’ que desaparece, deixando o palco vazio inundado de luz”, enaltece.

Entre os destaques do elenco está o barítono Fellipe Oliveira, que interpreta Fígaro. “Minha estreia como Fígaro foi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 2015. No Palácio das Artes, em 2022, fiz Papageno, na última montagem da ópera ‘A Flauta Mágica’, também de Mozart, com direção da Carla Camurati. Voltar ao Palácio das Artes, como protagonista, em um papel que já fiz três vezes, é uma alegria muito grande; o público de Minas sempre me recebeu com bastante entusiasmo e por isso, me sinto muito bem tratado, me sinto em casa e gosto demais de trabalhar com os corpos artísticos da Fundação Clóvis Salgado e com o maestro André Brant, sempre extremamente gentil. Estou bem ansioso para dar vida novamente a esse Fígaro, que canta muito, se mexe muito e encanta ainda mais, um dos personagens mais importantes da minha vocalidade de baixo-barítono, num teatro tão grande como o Palácio das Artes; uma alegria sem tamanho”, celebra.

A soprano Melina Peixoto, que interpreta Susanna, destaca a complexidade emocional da personagem. “É uma enorme honra interpretar a Susanna em ‘As Bodas de Fígaro’, mas também um grande desafio, devido à complexidade e à humanidade presentes nos personagens deste libreto. Ao longo do único dia em que se passa toda a história, Susanna vive emoções conflitantes e rápidas reviravoltas, enquanto se prepara para seu casamento com Fígaro. Assim, o papel exige não apenas domínio vocal, mas também agilidade e fluidez interpretativa para a condução dos diversos recitativos em que a personagem está inserida. ‘Conheço’ Susanna há muitos anos, mas a compreensão da personagem acompanha o amadurecimento profissional e pessoal do cantor, tornando o desafio de interpretá-la ainda mais empolgante”, afirma.

Serviço
Ópera “As Bodas de Fígaro”, de Wolfgang Amadeus Mozart
Datas: 17, 19, 21 e 23 de maio
Horário: 18h nos dias 17 e 23, e 20h nos dias 19 e 21
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1537, Centro – Belo Horizonte)
Classificação indicativa: 12 anos
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)

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