
O evento alcançou um marco histórico ao registrar 232 inscrições no 4º Edital de Credenciamento de Autores e Artistas Independentes. O número recorde representa um aumento de 82% desde o lançamento da iniciativa, em junho de 2022. De acordo com Cristina Figueiredo, idealizadora e produtora do evento, a Fliti disponibiliza estandes para as editoras menores, num esforço de aprofundar o caráter plural do evento, fortalecer a cadeia criativa e cavar espaço para um diálogo direto com leitores, autores e profissionais do setor.
Quatro editoras independentes de Belo Horizonte estão com estandes na Fliti 2026: Aletria, Mazza Edições, Traço Editora e Literíssima Editora.
Fundadora da Literíssima, Leida Reis destaca a relevância dessas participações não só para o evento, mas para a sociedade de forma geral. De acordo com ela, as editoras independentes trazem livros diferentes e de autores que não são publicados pelos grandes selos. “É o que a gente chama de bibliodiversidade. E ela é importante para as escolas, para as crianças, para os professores e para o público em geral que vem à feira, pois permite acesso a títulos diversos e não apenas aos mais comerciais”, defende.
De acordo com Leida, para as editoras menores, é um desafio estar na feira. “Financeiramente, não conseguimos recuperar o investimento”, afirma ela, que precisa fazer investimentos na montagem do estande, transporte, alimentação e hospedagem. “Por outro lado, é importante para a divulgação do nosso trabalho e, também, para usufruirmos da programação cultural do evento oferece, que conta com muitos autores relevantes e é muito rica e diversificada” afirma Leida, lembrando que a Literíssima completa dez anos neste 2026 com mais 650 títulos publicados.
Também da capital mineira, a Mazza Edições e a Traço Fino Editora uniram forças para expor na Fliti. Elas dividem um estande na feira, onde exibem seus títulos que tratam, em grande parte, da representatividade indígena, negra e de pessoas com deficiências. Livia Souza, da Traço Fino, destaca o cuidado na seleção e na produção de cada título no trabalho das editoras. E confessa que não é nada fácil competir com os “blockbusters” editoriais.
“A gente reconhece que participar de feira é um investimento a longo prazo, tanto no aspecto da divulgação e quanto de firmar uma presença no mercado. Já o retorno financeiro está sendo um desafio. Muito em razão dos best-sellers, dos livros de colorir, brindes em livro-brinquedo de distribuidoras e livrarias muito grandes que participam dos eventos e conseguem colocar o título a ‘preço de banana’. E as editoras pequenas que estão ali com o trabalho artesanal, com o trabalho que foi feito à mão, com o trabalho que teve um cuidado enorme durante todo o processo, acabam sumindo no meio do caminho”, desabafa.
Ela mostra à reportagem, com orgulho, os títulos levados pela Mazza, referência na publicação de autores negros há mais de 40 anos, e pela Fino Traço, com grande produção voltada ao público infantojuvenil. Todos com acabamento e conteúdo diferenciados.
A pedagoga Vânia Lúcia Guimarães Diniz de Matos, 65 anos, trabalha há nove na Aletria, editora belo-horizontina voltada ao leitor infantil e juvenil. E considera a experiência positiva. “A gente está super feliz com a feira de Tiradentes. Esses eventos são importantes. Percebo que os meninos têm retornado muito ao livro físico, deixando um pouco o celular, os livros digitais. Então, está sendo surpreendente”, afirma. “Temos tido um bom retorno, o mais importante é que a Aletria está sendo vista, conhecida com essa literatura de conteúdo de excelência”, diz Vânia.
A Fliti segue em Tiradentes até domingo (10). Confira a programação completa em @flitifeiraliterariatiradentes